quarta-feira, 11 de abril de 2018

“Saudade é o amor que fica”

As vezes, eu fecho os olhos e agradeço por você ter feito parte da minha vida.
Simples assim. Apenas por você ter passado como furacão e ter mudado todas as coisas de lugar dentro de mim.
Eu fico repetindo: “Obrigada, Senhor. Obrigada!” - Como algum tipo de mantra, entende? Como se quanto mais eu repetisse, maior seria a probabilidade de você nunca me deixar - ou melhor, de você voltar.
Uma vez, eu li em algum lugar que “saudade é o amor que fica”. 
Essa frase me marcou. 
Porque saudade é nada mais, nada menos que isso: O amor que ficou, que eternizou, que floresceu e floresce a cada dia dentro do peito, se fazendo presente mesmo quando está ausente. Não encontrei até hoje uma definição melhor do que essa para saudade. 
Quando alguém deixa saudade em nós é porque nós amamos aquela pessoa, é porque vivemos momentos bons com ela, e esse amor, ele está lá dentro da gente, ele pulsa, ele vive.
Eu quase consigo sentir seu cheiro quando penso em você. Sabia? 
Quase consigo ouvir sua voz quando estou sozinha em casa. 
Eu quase consigo te abraçar. 
Eu quase consigo sorrir sem me martirizar por estar sem você. 
Eu quase consigo seguir em frente, quase consigo me apaixonar novamente. 
Um dia desses eu ouvi uma piada engraçada, e a primeira coisa que pensei foi: “Poxa! Como eu gostaria de contar a ele!”
E eu quase consegui ouvir sua gargalhada depois que eu contasse a piada. 
A saudade é isso, é a constante sensação de que você está aqui, mesmo sem estar. Porque não importa a quantos quilômetros de distância você esteja, nem com quem está... Eu ainda sinto você aqui. Ainda acordo assustada por causa do despertador que você deixou na cabeceira, ainda te xingo mentalmente por ter esquecido de colocar o lixo para fora, ainda brigo sozinha porque você ter deixado a toalha em cima da cama antes de ir embora, ainda reclamo dos sapatos que ficaram espalhadas pela casa... mas nunca os guardo. Parece que se eu guardar vou estar assumindo que você não vai voltar, então, eu travo essa batalha interna todos os dias comigo mesma quando encontro qualquer um dos seus pertences espalhados, embaixo da cama, ou os chinelos no cantinho do banheiro... Eu respiro fundo e simplesmente os deixo lá, porque espero que você volte um dia para guarda-los no lugar. Fazer isso por você seria o mesmo que assumir que desisti. E quando se trata de você, eu não desisto. 
Sei que parece loucura, mas há momentos em que me esqueço que você não está mais em casa, e te chamo. 
Uma. Duas. Três. 
E cada vez que te chamo e não ouço resposta meu coração se afunda um pouco mais. Dói. Não aquele tipo de dor palpável, que se pode tomar ou passar um remédio para aliviar, mas aquele tipo de dor que não sabemos onde começa ou termina, parece que o corpo todo dói, mas é só o coração. 
Há tem dias que eu finjo que você saiu para comprar pão e que logo vai voltar para casa.
Eu fico repetindo: Ele vai voltar. Mas quer saber? Nem o cachorro acredita mais. 
E por falar em cachorro, acho gentil da sua parte ter deixado o lembrete na geladeira, sobre a importância de não esquecer de alimenta-lo. Quase sempre tenho a impressão que ele sente sua falta tanto quanto eu. 

E é assim... Meus dias são preenchidos com lembranças de você. Com imagens de você saindo do banheiro e pingando água na casa toda, e do seu sorriso sapeca quando sabia que estava fazendo algo que eu não concordava, ou imagens de você sentado à mesa da cozinha enquanto esperava ansioso o nosso jantar. As lembranças mais banais são as que eu mais gosto. Como você voltava suado da corrida pela manhã, ou a maneira como você sabia girar uma panqueca no ar... O sorriso de lado quando sabia que eu estava te observando, ou o sorriso grande quando você não notava, mas eu estava te observando. O beijo que você dava na minha clavícula quando eu estava distraída, ou o beijo na testa quando eu estava de saída. Tudo, qualquer coisa me faz lembrar você. 

Eu acho que não vou me acostumar nunca... E se saudade é o amor que fica, talvez eu sinta saudade de você para sempre. 

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