sexta-feira, 6 de abril de 2018

Fica só esta noite?


Eu o encontrei uma certa noite, uma dessas incontáveis noites em que a gente só quer se divertir, se aventurar, esquecer o mundo lá fora e viver. 
Ele estava conversando com um amigo, sobre times de futebol e sorrindo debochadamente da opinião desse amigo, mas vez ou outra ele me olhava de escanteio e virava mais um gole da garrafa de cerveja. E sim, eu estava prestando mais atenção do que gostaria.
Bonito demais para ser inteligente - eu pensei. Eu estava errada, tão bonito quanto inteligente. Ele é daquele tipo que não gosta de se gabar, mesmo falando mais de três idiomas. 
Passamos tanto tempo conversando, sobre tanta coisa naquela noite. Sobre os pais dele que se separaram quando ele era muito novo, e sobre o porquê dele ter escolhido a faculdade de Direito. 
Ele me contou sobre os três cachorros que ele tem, e sobre as cidades que ele ainda quer conhecer no Brasil. 
Ele sorria e eu não conseguia respirar. 
Quando ele me deixou em casa e não pediu meu número de telefone, eu pensei que talvez eu não tivesse tanta sorte assim... Que caras como ele não são do tipo que se encontra na balada em uma noite qualquer e que com certeza ele já tinha alguém. 
Mas aí bateram à porta, e quando eu abri ele encarava o chão enquanto balançava a cabeça e resmungava o quanto era idiota até que me notou ali, com a porta aberta, parada a sua frente. Ele sorriu, mais uma vez, aquele sorriso lindo que ele tem, e disse coçando a nuca, como se estivesse envergonhado demais e aquela fosse a primeira vez que ele pedisse o telefone de uma garota. 
_ Seria muito abuso da minha parte pedir seu telefone? 

E depois disso vieram cinemas, shows, brigas intermináveis por causa dos times de futebol, amigos compartilhados, beijos em partes do corpo que eu nem sabia que existia. 
Vieram os planos, os sonhos, os defeitos que eu acabei aceitando porque fazem parte dele, e eu amo cada parte dele. 
Vieram as viagens, os momentos, as fotos, os problemas e as qualidades que eu admiro tanto nele. 
Ele é tranquilo, eu sou eufórica.
Ele é irônico, eu sou sarcástica. 
Ele debocha, eu acho graça. 
Ele sorri, eu amo. 
Ele ama, eu sorrio. 
Ele dorme de lado, eu de bruços. 
Ele é canhoto, eu sou destra. 
Ele canta, eu escrevo. 
Ele é da direita, e eu sou da esquerda. 
Ele tem ciúme, eu finjo não ter. 
Ele tenta apaziguar, eu quero brigar. 
Ele me beija, eu esqueço de tudo. 
Ele esquece de tudo, eu perdoo.
Ele não faz juras, eu faço. 
Ele conquista, eu já sou dele. 
Ele discorda, eu ignoro. 
Ele ignora, eu fico brava. 
Ele não atende telefone, eu brigo.
Ele briga, eu desligo o telefone.
Ele pede desculpa, eu choro. 
Ele chora, eu abraço. 
Ele ama, eu amo. 
Ele vento, eu furacão. 
Ele rio, eu mar. 
Ele quente, eu frio. 
Ele aqui. Agora. E eu sortuda demais para descrever.
Só sussurrado em seu ouvido enquanto ele cochila: Fica só mais essa noite? 

E ele sorri e responde: Fico, para sempre! 

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