quarta-feira, 23 de agosto de 2017

BEN & MELISSA - Parte II

Acordei escutando "Into You" da Ariana Grande tocando um pouco alto demais para uma manhã de domingo às dez horas. O som com certeza vinha da cozinha e enquanto eu tentava me orientar e me lembrar do que havia acontecido na noite passada me certifiquei de pegar minha cueca jogada em cima do sofá e coloca-la, coçando o cabelo cheguei a cozinha e pude vê-la dançar vestido a minha camisa de ontem à noite, ela cantava alto e devido à altura da música nem me ouviu chegar. Me acomodei no banco da bancada de mármore da cozinha, de frente pra ela, e comecei a me recordar dos movimentos que havíamos feito a noite inteira, e enquanto ela se balançava freneticamente sentindo as batidas da melodia eu me perdia em pensamentos pecaminosos, todos com ela, todos sobre ontem a noite, e todos me fizeram sorrir como um idiota. 
Aquela mulher linda na minha frente, dançando feito uma louca e cantando sem saber a letra da música, era minha. Toda minha. E como se não fosse suficientemente sexy vê-la dançar assim, ela ainda estava vestida com uma camisa minha, muito tesão para a manhã de um domingo. Tudo que eu queria era desamarrar aquele coque de cabelo dela , senta-la na pia e começar novamente tudo que fizemos ontem. Mas eu sabia que não era a hora de mostrar meu lado sádico e tarado. Ela precisava saber que eu queria mais que sexo, e eu precisava mostrar.
Com um toque desliguei a música que tocava no celular, e pude vê-la virar para mim com o olhar desconcertado e questionador, ela estava linda, em uma das mãos segurava uma espátula e na outra segurava a frigideira, sorriu um sorriso tímido de quem estava envergonhada por ter passado a noite deitada em meu peito, e balançou a cabeça em negativa enquanto dizia: "Quer tomar café? Estou preparando panquecas e tem aquele suco de laranja que você tanto gosta na geladeira.".
Ela não sabia como ficava linda quando tentava impressionar, mesmo quando nós dois sabíamos que ela era péssima cozinheira. Me aproximei lentamente e a puxei pela cintura, tirei a espátula de sua mão e cuidadosamente coloquei a frigideira com a panqueca queimada sob a pia. Com movimentos lentos beijei a ponta do seu nariz, que estava suja de farinha e desci beijos pela bochecha, e pelo pescoço. Senti quando suspirou firme perto do meu ouvido e entrelaçou os dedos no meu cabelo me fazendo olhando pra ela. Ficamos nos encarando por um tempo. Melissa era maravilhosa, eu nunca cansava de ficar admirando, mesmo quando ela ficava tímida e brigava comigo pro encara-la tanto tempo. Depois de longos minutos olhando um para o outro, percebi que ela não iria desistir, ficou mordendo o lábio inferior em tom provocativo e sorria vez ou outra para reafirmar o poder que tinha sob mim. Segurei seu queixo entre o polegar e o indicador e puxei com lentidão para perto da minha boca, beijei com carinho, e com cuidado, senti cada gosto que aqueles lábios já haviam me mostrado em tão pouco tempo. Gosto de amor. Gosto de tesão. Gosto de palavras chulas vindas de alguém tão delicada. Gosto de suco de laranja. Gosto de prazer. Entrelacei meus dedos no coque de maneira que desfiz o penteado e a beijei com mais intensidade.
Ela soltava um gemido e outro entre as carícias que eu fazia, e eu não conseguia parar de pensar no que aquela mulher estava fazendo de mim...
Depois de toca-lá em todas as partes que podia, e deixá-la morta de tesão, me afastei somente o suficiente para olhá-la novamente e disse: "Bom dia".
Ela sorriu, me empurrou de leve e refez o coque de cabelo. Tomamos nosso café ouvindo uma música qualquer do Sam Smith tocar no celular e eu sorria a cada vez que ela contava uma estória diferente sobre sua infância. Melissa era a mulher mais atraente que já havia conhecido, ela conseguia ficar bonita sem maquiagem e com os cabelos desgrenhados, e não se importava com sua aparência.
Passamos o resto daquele domingo deitados no sofá assistindo um filme qualquer que passava na TV a cabo. Não fizemos sexo, ela estava cansada. Só ficamos deitados, eu lavei a louça e tomei um banho depois que finalmente ela adormeceu. Pensei em acorda-la para dizer que estava indo para casa, pois já passava das 18 e eu precisava revisar umas planilhas antes de dormir, ela dormia tão serena e com a respiração tão regular que não quis incomodar, queria ficar mais tempo vendo ela franzir o cenho e as vezes resmungar alguma coisa adormecida. Beijei-a a testa, senti cheiro de camomila dos seus cabelos castanhos claros e senti o cheiro dela na minha camisa. Deixei um bilhete na geladeira para que ela não ficasse brava por eu ter ido sem avisar, e nele escrevi: " Se lembra quando você disse que o encontro só é bom quando deixamos nosso cheiro cravado no outro? Parabéns, você conseguiu! Tem seu cheiro na minha camisa, no meu cabelo e na minha pele. Me liga quando acordar... Te cuida!" 

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