terça-feira, 8 de agosto de 2017

Olheiro musical

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Uma dose de uma bebida amarga e a cadeira vazia ao meu lado era tudo o que eu tinha naquela noite. Um restaurante de música ao vivo e um cantor de bar atrasado era tudo o que eu tinha naquela noite. Pessoas em mesas ao meu redor com olhares depositados sobre o cara solitário que ocupava o meu corpo era tudo o que eu tinha até aquela noite.
Então sobre o palco surgiu um homem e um violão.
Este mesmo homem dedilhava o seu violão como se estivesse tocando a pele de uma bela mulher. O som que saia dos seus lábios me deprimia, parecia que ele era o homem mais infeliz da face da terra, e isso era encantador. 
Quando ele fechava os olhos eu podia sentir que ele viajava em suas próprias palavras que empregavam a morte como a melhor coisa que poderia acontecer-lhe naquele momento.
Continuei a beber e pensar do por que eu ainda tentava...
Então chegou o refrão, foi quando ele pegou os meus olhos e os segurou, da mesma forma que um beijo segura uma alma. Todos olhares a minha volta se desfizeram, era como se nada mais existisse, como se eu não existisse.
Um homem com voz de sereia.
Essa voz te leva para o fundo do mar, te afoga em devaneios e depois te leva a superfície, te devolvendo o ar. É a mesma sensação de querer voltar, mas de saber que estará morto se retornar. A voz daquele homem te faz querer reprise o tempo todo, mas é capaz de te cegar.
Eu podia jurar que estava apaixonado, poderia ouvi-lo por dias e dias, ele poderia ser a nova estrela da música, poderia ser quem ele quisesse com aquela voz.
A bebida já nem é tão amarga, não quanto a música pelo menos.
Sua testa parou de franzir-se, seus olhos se abriram, seus pés se aquietaram, ele sorriu e dos seus lábios parou de sair beleza em forma de música. Os olhares viraram aplausos, mas não o meu olhar, o meu volta a sentir o gosto amargo da bebida, o meu paga a conta e sai.
A noite está gélida e quieta. Alguns casais passam pelas ruas de mãos dadas e outros se sentam para um café em uma lanchonete típica.
Eu entro em um restaurante de lustres dourados e decoração quente, me sento no centro do mesmo e peço uma bebida amarga.
Uma dose de uma bebida amarga e a cadeira vazia ao meu lado era tudo o que eu tinha naquela noite. Um restaurante de música ao vivo e uma cantora negra de sorriso convidativo era tudo o que eu tinha naquela noite. Pessoas em mesas ao meu redor com olhares depositados sobre o cara solitário que ocupava o meu corpo era tudo o que eu tinha até aquela noite.
E  mais tarde eu pude jurar que estava apaixonado.

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