quinta-feira, 27 de julho de 2017

Fique Bem, Até Logo - Parte I

Pedro estava muito chateado por mais um discussão com Bianca, era como se já soubesse que o namoro tinha chegado ao fim, mas quatro anos de namoro e tudo o que passaram juntos o fazia acreditar que valia a pena insistir mais um pouco, mesmo em meio a tantas brigas, mas essa o havia abalado mais que de costume, nem ouvindo Red Hot no último volume ele conseguia se sentir um pouco melhor (isso sempre funcionava para aliviar o aperto que sentia no peito).
Sentindo que precisava caminhar um pouco, desceu uma estação antes da habitual no metrô e enquanto ia caminhando desatento com sua música alta, uma garota toca em seus ombros meio tímida e se desculpando por incomoda-lo pergunta onde fica o bairro da Lapa, ele que não havia entendido tira os fones e pergunta o que a garota havia dito, desconcertara ela repete sua pergunta e ele diz:
- Eu moro lá, não fica longe muito daqui, onde exatamente está indo?
- Estou indo na rua da igreja na casa de uma amiga, sabe onde é?
- Sei sim, é um quarteirão depois da minha casa, me acompanhe que eu te mostro como chegar lá, a propósito me chamo Pedro.
- Alana, muito prazer!
Eles foram conversando e o papo fluía como se eles se conhecessem à anos, desde assuntos da faculdade até séries e filmes da Netflix. Foi então que Pedro se deu conta de como aquela garota de compridos cabelos loiros e olhos azuis era realmente encantadora e eu ele havia se esquecido dos problemas que lhe atordoavam, foi quando chegou no quarteirão de sua casa, mostrou a Alana onde ficava a igreja e se despediu. Parecia que havia voltado a realidade, com os mesmos problemas com Bianca, chegou em casa, tomou um banho e foi dormir.
No dia seguinte seguiu sua rotina normal, porém saindo do trabalho foi tomar umas com Carlos e falar um pouco dos problemas, saindo pegou o metrô e sem saber explicar exatamente o porquê acabou descendo novamente uma estação antes do habitual e para sua surpresa Alana estava a sua espera, Alana o cumprimentou e disse que o papo havia sido tão bom que resolveu repetir a dose, Pedro ficou surpreso mais também havia gostado do papo então deixou que Alana o acompanhasse, chegando no quarteirão de sua casa Alana o chamou para tomar um açaí, inicialmente Pedro pensou em recusar mas aqueles olhos azuis o impediam de dizer não e assim ele acabou aceitando.
A química que havia entre eles era enorme e eles ficaram ali conversando por horas, até que o dono do estabelecimento disse que precisava fechar e os pediu para que fossem embora, assim o fizeram e Pedro acompanhou Alana até a casa de sua amiga, na hora da despedida Alana quis beijar Pedro que esquivou e totalmente desconcertado foi embora sem dizer mais nada.
No outro dia acordou com uma ligação de Bianca, mas sem saber como agir e o que falar achou melhor ignorar e ligar para Carlos para lhe pedir conselhos. Eles foram almoçar juntos e conversar sobre, e antes que Pedro falasse Carlos lhe perguntou quem era a loira que estava com ele no açaí ontem?
Carlos estava passando e viu os dois no maior “love” e achou estranho pois até onde ele sabia Pedro ainda estava namorando com Bianca.
Pedro explicou o que havia acontecido, desde o metro até o açaí e que ela havia tentado beijar ele e que ele recuou e fugiu da menina sem saber o que fazer. Após alguns minutos de risos do amigo por ele correr de uma loira linda, Carlos perguntou a Pedro:
- Quem é a loira?
- É a Alana.
- Você entendeu minha pergunta Pedro, quem é a loira?
- No momento uma pergunta difícil de responder.
- Então resolva seus problemas com Bianca antes de entrar em outro relacionamento, até mesmo para não correr o risco de estar apenas confundindo frustração do relacionamento atual com um possível affair.
- Nem que eu quisesse eu não tenho contato da Alana, vou conversar com a Bianca, mas eu vou terminar, não para ficar com a Alana, e sim porque não quero prolongar algo que já passou do prazo de validade.
- Você sabe o que faz meu amigo, me conte como foram as coisas, mas agora preciso voltar ao trabalho e acredito que você também.
- Tenho alguns minutos, mas ok, a gente se fala a noite. Valeu man.
- Se cuida cara, pensa bem!
Saindo do serviço Pedro ligou para Bianca e disse que precisavam conversar, foi quando Bianca o surpreendeu com a seguinte frase:
- Pedro eu não sou criança, “precisamos conversar é a mesma coisa que quero terminar”, e se é para ser assim que seja por telefone, não quero ouvir isso de você assim na minha cara, prefiro por telefone que é menos doloroso.
- Bianca, não torne as coisas mais difíceis do que precisam ser....
- Pedro nosso namoro acabou a tempos, só você que não se deu conta, é melhor que seja assim do que prolongar em algo fracassado e acabarmos nos odiando no final, não quero ser grossa mas vou desligar, se cuida. Abraço
Pedro não entendia ao certo o que havia acontecido, mas parecia que mesmo com a chateação de um termino de namoro ele se sentia aliviado por ter feito a coisa mais acertada.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Assim é melhor... (desabafo de amor e aceitação)

E você não está mais aqui mesmo ainda estando, seus cabelos em meu rosto nos dias de vento, seus abraços nos dias de frio, seu sorriso sempre que possível...
Não posso mais ver um fusca azul que fico pensando que pode ser você, logo eu que antes batia no amigo mais próximo ao ver um destes agora me vejo perdido nas lembranças do que não fomos, você parecia tão decidida que me convenceu que assim seria melhor, não concordei, mas aceitei, a vida tem disto.
Na próxima esquina que eu lhe encontrar, a vida terá seguido, mas a dúvida permanecido, espero que possa ter sido assertiva em escolher por nos dois, pois se não foi o tempo passou, o nosso tempo passou e agora você é só saudade, pois nem nostalgia não mais poderás ser, pois o tempo passou e mesmo com a dúvida no peito sou melhor sem você, sem a incerteza que sempre nos pesou.
Oi, tudo bem? Vai com Deus, assim é melhor...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Monocromáticos

Resultado de imagem para casal tumblr
"Querido,
Isso é ridículo eu sei, mas você e eu somos ridículos.
Eu não tenho noção de como dizer nesta carta tudo que quero dizer há tanto tempo, então me perdoe se soar ruim ou rude, egoísta ou coisa assim, eu apenas pela primeira vez não sei usar as palavras da forma certa.
Lembra como nos conhecemos? 
Se a resposta for negativa, deixe-me refrescar sua memória, no fim espero que cada palavra se encaixe em um sentido lógico.
Eu fui a uma festa com uns amigos, não estava exatamente em um bom dia, então me entreguei de corpo e alma  naquele bar.
Por mais que eu bebesse era incrível como eu nem ao menos ficava tonta, impressionante como o nosso corpo se acostuma com o álcool e não se acostuma com a solidão, o porquê de tanta solidão? Longa história.
Era nessa longa história que eu pensava enquanto passavam vários caras ao meu lado me propondo mais bebida, como se bebida fosse sinal de beijo na boca e sexo na certa, para todos eu disse "não", repetidamente naquela noite eu disse essa mesma palavra nos mais variados tons.
Depois de muitas tentativas de ficar alcoolizada sem sucesso, você se sentou ao meu lado e eu me lembro claramente de suas palavras "Onde pensa que vai com tanta bebida?", eu te olhei e repeti o meu "não", mas então quando me virei para o bartender eu reparei que o meu "não" havia sido jogado fora, direto para a boca de lixo, afinal ele não fez o mínimo sentido.
Olhei para você e vi as luzes roxas, vermelhas, verdes e azuis colorirem o seu rosto rosado, seus olhos castanhos me encaravam como se quisesse encontrar algo em mim, algo que nem eu sabia onde estava, reparei no seu piercing de argola perfeitamente posicionado no seu nariz, e não pude deixar de reparar nos seus lábios entre abertos, meus olhos desceram então para as tatuagens que rodeavam o seu pescoço, sendo uma mais misteriosa que a outra, não pude ver onde acabavam por conta da roupa, mas depois da jaqueta de couro preto eu pude ver nos seus pulsos um pouco mais delas.
"Pretendo ir arrastada para casa" eu disse num tom seco, levantei o copo para mais uma e você mandou o bartender voltar. Aquela dose poderia de fato ter me levado a loucura, mas isso eu nunca saberei, nunca tive a oportunidade de saber qual era o seu gosto, pois nunca deixou eu bebe-la.
Perguntou sobre o porquê de eu não querer estar com os meus amigos e do motivo pelo qual eu estava me procurando no fundo de uma garrafa vazia, mas nem eu sabia.
"Tudo bem, eu sempre me procuro no fundo de uma caixa de cigarros" confessou, e então depois disso eu comecei a me procurar lá também.
Foi assim, assim que você me fez sua amiga, dois estranhos se procurando em locais que claramente nunca estaríamos, foi exatamente assim que nos afundamos em álcool e cigarros, descemos ao inferno juntos, nós vivíamos cambaleando pela calçada, rindo de um tropeço, e quando finalmente decidíamos fumar o ultimo cigarro nos lembrávamos de como nos sentíamos sozinhos, apesar de termos um ao outro.
Estas coisas aconteceram até o momento em que percebemos que não precisávamos de nada além de nós mesmos, então nos reerguemos, ainda sim juntos.
Eu senti varias vezes que você quis desistir, quis viver em um mundo de tortura, mas você sabia que se desistisse eu desistia, que se caísse o tombo doeria em mim, então as vezes acredito que parte da nossa felicidade foi criada por que pensou na sua amiga aqui.
Desta maneira você me deu a mão pela primeira e segunda vez. Na primeira você me derrubou, mas com você, nunca mais estive sozinha, e na segunda me levantou e eu continuava acompanhada.
Fomos com certeza a dupla de amigos mais sincera que perambulou por todas aquelas ruas paulistas, saímos, bebíamos socialmente, assim como fumávamos, mas era diferente, não era mais uma vida cheia de álcool e nicotina, era uma vida cheia de álcool, nicotina e principalmente felicidade.
Eu costumava te ajudar com as garotas e você me ajudava com os homens, quando nos cansávamos deles então nos achávamos e passávamos o resto da noite juntos, dançando um com outro, contando coisas e pegando um táxi, até que eu dormia em seu ombro e acordava na minha cama, sem você.
Você me contou a história de cada uma de suas tatuagens, e elas tem mais histórias do que eu poderia imaginar, um mundo de segredos estampado em sua pele, você passou para mim um mundo preto e branco, apesar de você fisicamente ser tão colorido, sua alma era monocromática, e em qualquer outro homem eu acharia isso ruim, mas em você não, o preto e branco nunca combinou tanto com alguém como combinou com você.
Confesso que desejei estar nesse mundo muitas vezes.
A esta altura do campeonato se passaram quase dois anos, você começou a namorar uma garota tão como você, e eu um cara tão como alguém por ai que se encaixe perfeitamente com ele, mesmo assim saíamos, e quando a sua garota se cansava e eu cansava do meu garoto nos encontrávamos e dançávamos juntos.
Durou pouco esse ritmo, nada mais era como antes, eu não te contava os meus segredos e você também não compartilhava os seus comigo, eu deixei de usar a sua jaqueta na volta das festas e nunca mais dormi no seu ombro, assim como nunca mais fiquei surpresa por acordar sem você, querido amigo, a gente se afastou com o tempo, e é claro que eu imaginava que isso iria acontecer.
Foi quando decidi fazer então a minha primeira tatuagem colorida, para uma alma que desejava ser preta e branca, um lobo azul, motivo? Segredo.
Demorei para achar o desenho perfeito, e quando achei eu fui direto a um tatuador, no caminho você me ligou com um papinho de "Oi, tudo bem? E ai? Quanto tempo!", eu disse que estava indo ao tatuador, e quando eu entrei no estúdio você já estava lá e segurou a minha mão pela terceira vez.
E como descrever aquilo? 
Você ergueu a cabeça e me olhava pelo canto dos olhos, segurava a minha mão como se tivesse estado lá o tempo todo, como se fosse incapaz de me deixar, eu tremia, mas tenho certeza que não era dor, era por que há muito tempo você não esteve tão próximo. Quando fechei meus olhos não foi por causa da tatuagem, foi para tentar eternizar a sua mão na minha, para sentir o meu coração bater mais forte, foi para desejar que você também quisesse o mesmo, mas não poderia ignorar o fato de que ambos éramos comprometidos, ambos éramos amigos e que eu não deveria estar pensando nada daquilo. Virei o meu rosto para onde você não estava e soltei a minha mão da sua, disse que estava bem, é claro que menti.
Acontece que seu rosto preto e branco não saia da minha mente, meu namoro foi por água abaixo, e eu acho que você esteve tão preocupado com a sua amiga de coração partido que o seu não teve um final diferente.
Éramos novamente aqueles dois que se procuravam em locais que nunca estaríamos.
Você nunca me perguntou o porquê de um lobo, cada tatuagem tem o seu segredo, e aqui esta a resposta para a pergunta que você nunca fez, lobos podem viver em locais inabitáveis, perigosos, e este local para mim é dentro de nós mesmos, quando estamos tão sozinhos que até nós nos tornamos fantasmas, incapacitados de fazer algo para nos salvar, eu era um lobo em uma terra perigosa.
Assim que eu me sinto tão sem você, quer dizer, nunca mais foi embora, mas nunca mais esteve com a mão na minha, talvez quando ambos os relacionamentos tiveram seu fim você tenha pensado em me dar a mão e quem sabe um abraço, ao invés disso me deu um cigarro, eu senti paz por estar fumando ao seu lado, brincamos com a fumaça, e nos preenchemos com o vazio um do outro, temporariamente, pois quando amanheceu partimos.
Será que me culpava pelo seu desastre no relacionamento e por isso não foi mais o mesmo?
Quer dizer, você tem seus picos de alegria, mas sorrisos bonitos nem sempre são reais.
Claro super clichê eu me apaixonar pelo meu melhor amigo, pelo cara que sempre esteve lá, e talvez seja por isso que te amo tanto, você esteve lá, seja com um cigarro ou com as mãos nas minhas.
Se nunca sentiu o que senti com as mãos dadas, então talvez nunca tenha sentido nem ao menos a força da nossa amizade.
Eu sinto muito se eu confundi as coisas, e admito que estou muito confusa, mas algo em mim queria que fossemos confusos juntos, e se você ler isso e bem, não se identificar, ou então não sentir o mesmo, ignore, esta carta não é para você.

Ass.: Uma amiga."

Peguei a carta que havia acabado de escrever, dobrei e guardei no bolso.
Ele deveria estar para chegar, quando chegou eu abri a porta e você vestido de preto com um cigarro na boca me ergueu em um abraço e disse que tinha novidades, me colocou no chão e me ajudou a arrumar a minha roupa.
"Uma nova garota" disse, ele acreditava que ela era a certa, pois assim como ele era tatuada, com cigarros contínuos, piercing, com um sorriso falso e o principal, tão preta e branca quanto ele. Ele disse muito mais, porém eu só via a boca dele abrir e fechar, e só podia ouvir o meu coração desejar sessar cada batimento, parar de bombear sangue e parar de bombear vida.
A sensação de todas as vezes que o laço de nossas mãos foram desfeitos voltou, como se as borboletas na barriga saíssem pela boca, como se o coração fosse esmagado e eu sorri assim como ele sorriu para mim por meses, de maneira falsa, quando pensei que eu não aguentaria a dor e choraria ali mesmo eu disse que iria pegar uma blusa, afinal a dele esquentaria outra pessoa a partir de agora.
Virei as costas e fui até meu quarto, respirei fundo e peguei a jaqueta, fiquei tão perdida que até me esqueci da carta, deveria tê-la escondido, mas nem lembrava que ela estava no meu bolso.
Pensei em dezenas de milhares de desculpas para não sair com ele, pois todos momentos que viveria naquela noite seria com o sentimento de despedida, mas ao invés disso, com o que talvez fosse quinze ou vinte minutos voltei para a porta.
Ele estava me olhando como da primeira vez no bar, junto com o dia que eu me tatuei e misturado com o vazio do olhar após o termino.
"Pronto", provavelmente eu tinha a voz fraca, e quando fechei a porta e me virei novamente para ele, não tive tempo para pensar e nem para olhá-lo, seus lábios foram de encontro aos meus, de inicio como um susto, de forma brusca, me segurando pelo rosto com as duas mãos, senti uma folha encostar no meu rosto e por um segundinho abri o olho para ver o que era, era a carta, que provavelmente teria caído do meu bolso.
O beijo foi ficando leve e eu podia sentir tudo que senti por anos voltar em um beijo, meu coração quase não cabia no peito e minha respiração estava incontrolável, quando seus dedos me tocavam, a minha pele adormecia e o meu lobo finalmente poderia descansar.
Ele me soltou, olhou-me nos olhos e sorriu como eu nunca vi, talvez eu tenha visto um pouco de cor  escapar naquele beijo e se não vi em seu beijo vi em suas palavras:
"A garota que eu disse, eu acreditava ser a certa, você eu sempre tive certeza".

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A história de João e Julia parte VI (Final)

Um dia depois de todo o ocorrido no shopping ainda sem saber descrever o que sentia, João chegou do estágio e enquanto ouvia Kansas e se arrumava pra ir pra faculdade pensava o que seria de sua amizade ou algo mais com Julia, quando toca seu celular, para sua surpresa era Julia quem ligava, naquele misto de alegria e ansiedade achou melhor não atender, pois não sabia o que falar, todos seus passos foram planejados até sua declaração e a partir de então tudo era novo e desconhecido. 
Do outro lado da linha Julia ficou confuso sem saber se havia magoado João com sua repentina e inesperada saída do shopping ou se ele simplesmente não estava próximo ao aparelho, foi quando pensou em mandar um WhatsApp mais tarde para não parecer tão ansiosa e insistente. 
João que estava com uns colegas de faculdade em uma lanchonete, ficou meio sem reação ao ver a mensagem de Julia que o convidava para saírem pra conversar, pois as coisas tinham ficado meio que tumultuadas no último encontro, João aceitou e combinaram no sábado na mesma praça de alimentação do mesmo shopping. João decidiu que aquele era o momento, então resolveu ser direto e pedir Julia em namoro, já havia se declarado e o fato de depois da declaração ela propor um encontro pra conversar deve significar alguma coisa, e esse pensamento o motivou para a conversa do dia seguinte. 
Quando João chegou já avistou Julia que parecia meio desconcertada ao vê-lo, foi então que sentou e sentiu se anestesiado por alguns instantes, até que Julia lhe perguntou: 
É serio tudo aquilo que você me disse na quarta? 
Sim é, apesar que pensando bem Drive My Car não é a melhor escolha de música para se ouvir enquanto passeia no parque com sua namorada, mas isso é um detalhe que podemos resolver com o tempo, afinal de contas você sempre teve melhor gosto musical que eu. 
Você está me pedindo em namoro João? Nossa! Não sei o que dizer, mais uma vez você me pegou desprevenida. 
Tudo bem já imaginava isso, mas não quer dizer que de momentos inesperados não possam sair coisas boas certo? E também não precisamos ser tão apressados, mas o que acha de sairmos desse barulho e irmos dar uma volta na praça aqui em frente? 
Julia deu um sorriso de canto de boca e aceitou o convite meio desconcertada, ao chegarem na praça, João pegou seu celular e fone de ouvidos, colocou uma playlist já definida, deu um lado do fone a Julia, segurou sua mão e começaram a caminhar despretensiosamente, ela parecia meio sem saber o que fazer mas demonstrava gostar, quando João parou de caminhar, olhou no fundo de seus olhos e disse: 
Viu como não é tão ruim assim? A encarou por alguns segundos e a beijou. 
Naquele momento foi como se o tempo parasse, ele não sabia descrever a inebriante alegria que sentia, mas ao ver o sorriso de Julia sabia que era reciproco, foi quando Julia lhe disse que realmente os momentos inesperados revelam surpresas maravilhosas. 
E a sinceridade dos sorrisos e a reciprocidade dos beijos é tudo que importava a ambos naquele momento. Daí por diante será um mistério que ambos terão de descobrir juntos.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A história de João e Julia parte V

Julia saiu do shopping confusa e sem rumo, tudo que ela sempre quis ouvir de Paulo ela ouviu da boca de quem ela menos imaginava ouvir, e apesar de João tê-la emocionado com o encanto e sinceridade de suas palavras ela não sabia mais como proceder perante aquela situação, ouvir seu amigo ao qual ela buscava conselho amoroso se declarar foi mais do que ela podia processar naquele momento, mas pelo menos Julia saiu dali com uma certeza, de que mediante tantas dúvidas ela não poderia mais cogitar voltar com Paulo, ficou claro que seu relacionamento com ele era passado, já seu futuro amoroso era um imenso ponto de interrogação ao qual ela não tinha a menor ideia de como iria se desenrolar. 
Julia tinha medo de confundir os bons momentos de amizade com João em uma possível paixão, pois era inegável a química que tinham e foi ai que sem saber ela começou a ter sua mente assolada pelas mesmas dúvidas que João tivera anteriormente, mas Julia era diferente de João e saberia que jamais conseguiria seguir com essas dúvidas, tudo isso era demais pra ela foi quando ligou para Brenda sua amiga mais próxima e disse que tinha novidades pra contar e precisavam se ver ainda hoje, pegou sua moto e foi na casa de sua amiga, chegando lá elas decidiram ir no MC Donalds enquanto Brenda toda ansiosa perguntou quase que certa se ela tinha reatado com Paulo, e ficou também surpresa quando soube da declaração de João. 
Brenda disse que tinha uma grande simpatia por Paulo, mas que João era um charme com aqueles olhos verdes e aquele olhar tímido e difícil resistir a uma declaração tão linda como aquela que Julia lhe descrevera. 
Você merece alguém que te valorize e que realmente queira estar ao seu lado, porque não dar uma chance? 
Naquele momento parecia que Brenda havia lhe dito tudo que ela pensava e queria ouvir mas tinha medo de decidir sozinha e meio que sentia necessidade de uma validação externa, mas após as palavras da amiga decidiu que iria procurar João até mesmo para se desculpar pela forma repentina como o deixou no shopping e ver o rumo que a coisas tomariam depois de 24 horas tão intensas.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Mariposas

Gosto de imaginar os meus pais como grandes mariposas, que nos dão a chance de viver e um dia nos deixam sozinhos na esperança de que sobreviveremos.
Posso dizer que somos uma pequena larva que adquiri conhecimento exagerado, e estes tem a função de fazer de nós grandes e incríveis.
Tenhamos então a nossa volta, acima de nós e abaixo de nós uma bela folha verde, regada com boa água, para que assim possamos nos alimentar e crescer, desejo que nenhum de nós encontremos veneno, que nenhum de nós seja amaldiçoado, desejo que todos sejamos um dia seres evoluídos.
Me perdoe se enfatizei este pequeno animal, que a muitos desagrada, mas ele é um dos mais sábios exemplos da evolução e do tempo, pois se tudo der certo, um dia, um grande dia estará por vim.
Este tempo de gloria tardará a chegar, mas quando chegar, a luta terá valido a pena, o medo de errar terá ido embora, pois nem ao menos o medo te segurou, e se tudo der certo você vai bater as asas e vai sentir o vento, vai sentir uma emoção indescritível, você vai pensar do por que de aquele momento ter demorado tanto, vai se sentir único.
E quando tiver passado um curto pedaço de tempo, você repousará e tudo terá chegado ao fim. O motivo que te levará o fim é uma variante incalculável, seja pela emoção, por um pequeno erro ou até mesmo pelo tempo.
Assim é a vida, lutamos a vida toda por um sonho, quando ele se realiza é lendário e dependendo do tempo necessário dura pouco, é um ponto em toda uma linha do tempo. Assim é com a mariposa, vive para que um dia bata as asas, e quando bate ela sabe que aqueles são os seus últimos momentos.
E apesar de morrer, valeu a pena ela ter batido as asas.
Sonhos levam tempo, dedicação, escolhas difíceis, nos levam a caminhos obscuros e perigosos, se tivermos a bênção de realizá-los e bater as asas, apesar de ter demorado tanto e ter vivido aquilo por um curto pedaço de tempo, valeu a pena ter vivido.
Mas se você for um encostado, medroso, ou qualquer coisa que te deixe em completa inércia, nunca sentirá o prazer de ter feito a diferença.
Seja uma mariposa.