segunda-feira, 5 de junho de 2017

Primeiro Cara

Não era você. Não tinha o seu cheiro. Não tinha o seu gosto. Não ria das minhas piadas sem graça. Não falava coisas engraçadas para eu sorrir. Não segurava minha mão com a mesma firmeza que você.
Decididamente, não era você. Não beijava como você. Não tocava como você. Não falava como você.
De igual a você ele só tem a profissão. De igual a você ele só tem o furinho no queixo e os olhos de cílios longos. De igual a você ele só tem a vontade. Mas a vontade não basta, né? Se bastasse eu não estaria longe de você neste momento...
Não era você, mas mesmo assim abriu a porta do carro pra eu entrar. Não era você, mas me tratou com o mesmo respeito. Não era você, mas me contou sobre desilusões amorosas. Não era você, mas elogiou minha boca. Não era você, mas tinha um sorriso lindo. Não era você, mas ficava tímido com elogios. Não era você, mas me mandou mensagem quando chegou em casa agradecendo pela noite. Não era você, mas me ligou antes de dormir. Não era você, mas me levou a sério. Não era você, mas gostou de mim. Não era você, mas falou que eu sou diferente das outras...
Talvez eu até gostasse dele em um outro momento, em uma outra ocasião, quando meu coração estivesse desocupado, desalojado, desapropriado, e livre para escolhê-lo.
Mas hoje, infelizmente, ele não era você, e eu queria tanto que fosse!
Queria tanto!
Ele não era você, mas talvez eu consiga fazer ele ser. Talvez eu consiga esquecer você. Talvez amanhã eu já não o chame por seu nome sem querer. Talvez as coincidências sejam uma forma de me fazer te esquecer. Talvez só talvez... Até lá eu vou continuar te procurando em cada rosto que eu encontrar. Até lá, eu vou desejar que todos sejam você.

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