sábado, 3 de junho de 2017

Aquelas seis horas e a infinitude de dias sem você.


(Leia ouvindo a música acima)

O brinco, embora pareça não é e nunca foi uma desculpa. Tenho pra mim, que Deus fez com que eu esquecesse ele lá, dentro do seu carro, para que por uma última vez eu te visse. Sentisse seu cheiro, risse seu riso. Me envolvesse em seu abraço, e ficasse presa por lá pelo menos aquelas seis horas. Seis horas que nunca seriam o suficiente para mim. Seis horas que nunca seriam o bastante de tempo olhando seus olhos de cílios longos, beijando sua boca carnuda, misturando meu perfume ao seu. Seis horas que nunca conseguiriam lhe provar o quanto você estava perdendo me deixando partir assim... Sem ao menos tentar. Sem ao menos dizer que quando você estava comigo podia ser quem você realmente quisesse. Sem ao menos me dar uma oportunidade de mostrar que posso, e consigo, ser melhor que qualquer outra. Outro dia, li em algum lugar que dar um tempo na verdade é acostumar com o fim. Que quando se impõe distância entre duas pessoas é só um motivo a mais para o esquecimento. E talvez seja... Se assim for, parafraseio Mário Quintana:"Se tiver que me esquecer, me esqueça. Mas, bem devagarinho." Que é pra saudade sempre se fazer presente nas horas em que você se sentir sozinho. Que é para o vento trazer meu perfume nas noites frias. Que é para você rolar na cama pensando onde e o que eu estou fazendo ... E quem sabe assim você aparece. Para com a marra e percebe que não consegue ficar longe de mim. Que meu perfume ainda está grudado em alguma parte de você. Que meu sorriso ainda te causa noites e noites de insônia. Que você foi burro demais em não perceber a tempo que eu estava aqui, esperando você, querendo você, rezando para que você percebesse que eu sou tudo aquilo que você precisa. Tá certo, com uma pitada de imaturidade a mais, e talvez um pouco louca demais para sua vida certinha. Me esqueça lentamente. Devagar o suficiente para que você não consiga rir das piadas de outras mulheres, e não consiga trocar duas mensagens no WhatsApp sem corrigir os erros ortográficos que elas escrevem. O suficiente para que você pense em mim quando estiver abraçado a elas, de conchinha, como costumávamos ficar quando estávamos a sós. O suficiente para que você compare cada parte delas às minhas. 
E se nada disso funcionar, eu aceito o destino. Eu aceito seu afastamento, sua partida. Eu aceito que você nunca vai se dar conta do que você deixou pra trás, e posso garantir que foi mais, muito mais, que uma pessoa "legal, inteligente, com bom papo e gostosa". Você perdeu alguém que poderia ter lhe dado o mundo. E eu até lhe dei, o meu. Meu mundo estava completamente em suas mãos. Mas você, por uma razão que só você entende, deixou que eles escorresse entre os dedos, como areia. E mesmo assim eu vou estar aqui, rezando para que algum dia você encontre alguém que te faça acreditar no amor novamente. Alguém por quem você pare o relógio, desligue as paranoias e apenas viva. Alguém que te faça entender que a vida é muito mais interessante quando se tem alguém esperando no portão. Que a vida é muito mais alegre quando se tem alguém para quem você pode contar seu dia, dividir seus segredos, chorar suas dores. A vida é muito mais bonita quando se tem alguém para amar. Alguém para partilhar. Alguém para chamar de seu. E talvez em algum momento da sua vida, você perceba que meu silêncio ensurdecedor estava dizendo "adeus". Que seu silêncio ensurdecedor naquela noite só me dava razão para não querer mais voltar. Talvez você entenda que não se tratava de te deixar sem uma luta, mas que se tratava de entrar em mais uma batalha sabendo que eu havia perdido. Game over para mim. Talvez você perceba que eu te tocava porque sabia que não te tocaria mais. Que eu te abraçava porque sabia que não sentiria mais seu perfume. Que eu corri pro banheiro e chorei, porque sabia que você havia roubado uma parte de mim que há muito tempo eu não entregava para ninguém. E foi naquele momento, o momento em que corri para o banheiro, me ajoelhei no chão e chorei que eu percebi que você era muito mais do que eu supunha. Eu me dei conta de que estava realmente apaixonada. E não me pergunte como, nem porquê isso aconteceu. Só aconteceu. E eu aceito. Aceito que nem sempre a vida é justa, que muitas vezes a gente confunde os sinais, que muitas vezes os sinais não existem. E tudo bem... a vida segue. Ela continua.Talvez você entenda, algum dia, que em tanta linhas, em tantas piadinhas, em tantos encontros eu quis te dizer que estava apaixonada. Mas não disse... porque sabia que você fugiria de mim, como fugiu. E quando você me deixou em casa, e eu abri a porta para descer do carro, eu quis muito, muito, que você me perguntasse se eu não estava esquecendo algo, para dizer que era você quem estava esquecendo. Eu. Que você estava me esquecendo aqui. Que estava me entregando de bandeja para outra pessoa, mas de que adiantaria? A paixão só é profunda para aqueles que sentem, e eu percebi que eu era mar demais para você. Profunda demais. Intensa demais. (A)mar demais. Você não quis arriscar, e eu acabei me machucando por mergulhar de cabeça no seu sentimento tão raso.Te cuida. (É o que sempre digo, mas no fundo eu quero dizer: Me cuida, por favor).Até um dia... Quem sabe?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário