quinta-feira, 29 de junho de 2017

A história de João e Julia parte IV

Nunca na vida de João um dia tinha demorado tanto para passar, e parecia que a cada segundo sua ansiedade só aumentava, mas também ele via que essa ansiedade dividia espaço com a esperança de ser correspondido, e isso parecia o reconfortar de certa forma, algo que chega a ser ilógico uma vez que ele pensa ser reconfortado por um sentimento que nem sabe se será ou não correspondido, mas assim estava João, antepondo possíveis situações do futuro e perdido neste misto de sentimentos e incertezas. 
João chegou à praça de alimentação do shopping com 20 minutos de antecedência, e resolveu ir à livraria olhar alguns títulos pra matar o tempo, aquele ambiente lhe era muito agradável e foi quando se perdeu em meio aos livros, admirando capas e lendo orelhas que foi surpreendido com Julia que gritou um Ei no meio da livraria que fez todos olharem para ambos e deixa-lo bastante desconcertado e surpreso, aproximou-se dele o abraçou forte, deu um beijo no rosto e disse que tinha uma novidade ótima para lhe contar e foi quando ele percebeu que sua empolgação não era por tê-lo visto depois de mais de seis meses e sim pela novidade que anunciara contar a seguir. 
Sentados na praça de alimentação João sentia suas mãos suarem enquanto se perdia no lindo sorriso de Julia, e foi quando se deu conta de que toda a sua ansiedade não tinha tanta importância, pois a presença de Julia fazia tudo parecer mais fácil do que ele idealizou em sua mente nas ultimas 24 horas. 
Em meio a todas essas sensações Julia lhe conta que Paulo a procurou pra voltar e que ela estava dividida e sabia que com certeza João iria saber lhe aconselhar, foi quando o mundo de João caiu, pois ele até estava preparado para um não, mas aquilo lhe frustrou de modo que não sabia o que falar, pois na sua mente o melhor conselho que podia dar era que esquecesse o Paulo e ficasse com ele, mas percebeu que estava sendo novamente afoito e concluiu que devia pelo menos manter o crédito de ser um bom conselheiro, porém por outro lado era como se as palavras não saíssem, João havia esperado tempo demais por aquela oportunidade pra que não tivesse ao menos a chance de declarar seus sentimentos, por mais de 24 horas ele viveu a experiência da esperança e o beneficio da dúvida lhe fez sentir merecedor do risco e foi quando disse que ele não poderia ajudar Julia com essa decisão e pediu desculpas por tornar aquele momento embaraçoso, mas não aguentava mais guardar aquilo em seu peito. 
Julia eu estou atraído por você, não sei como descrever, foi algo que aconteceu naturalmente com o nosso convívio do dia a dia, as conversas, os gostos, o quão me é prazeroso desfrutar de sua companhia, perco a noção de tempo e espaço com você, contigo tudo é simples, com você posso ser eu mesmo sem precisar me importar com os outros e sinto que não posso mais guardar isso pra mim, preciso compartilhar contigo, dizer que jamais quero que nossa amizade se acabe, entretanto o que sinto por você vai além ,quero ser mais que seu amigo, quero poder te abraçar, te beijar e acariciar seus cabelos, andar sem rumo na praça de mãos dadas compartilhando o mesmo fone de ouvidos enquanto ouvimos Drive my car dos Beatles ou qualquer outra musica que tenhamos descoberto no Spotify, desculpe por te dizer tudo isso assim tão de repente mas eu precisava compartilhar isso com você. 
Julia ficou atônita por alguns segundos, com os olhos cheios de lágrimas foi quando finalmente disse que também não sabia o que dizer pois nunca imaginou que ele tinha tais sentimentos e que ele acabava de fazer a declaração mais linda que ela havia ouvido e que ela sempre esperou ouvir isso de Paulo e que precisava ir pra casa pois aquilo era mais do que ela conseguiria processar, levantou e foi embora meio atordoada e surpresa com o que acabara de ouvir. 
João a ficou olhando meio confuso por medo de ter estragado tudo ou finalmente dado o primeiro passo para viver seus sentimentos, tudo era incerto, mas ainda era bom sentir se aliviado por ter compartilhado seus sentimentos com Julia, mesmo que o que viria a seguir era totalmente novo e desconhecido.

domingo, 25 de junho de 2017

Se eu não estiver mais aqui

Se em algum momento a gente se perder, seja por culpa do mundo ou por culpa minha (já que tenho mania de afastar as pessoas que amo de mim), se você olhar para o lado e não me encontrar, se rolar na cama e não sentir meu cheiro... Feche os olhos, respire fundo, e lembre-se desse momento, o momento em que te fiz infinito na minha vida e no meu coração. O momento em que meu corpo se encaixou perfeitamente ao seu, como um ímã que me atraía constantemente para junto de você.
Lembre-se desse meu olhar, apaixonado e bobo. O olhar de alguém que imaginou uma vida de momentos iguais a esse ao seu lado, o olhar de quem estava completamente apaixonada desde o momento que coloquei os olhos em você no bar naquela quarta-feira.
E aí, se neste momento você sorrir, lembre- se das tantas vezes em que sorri para você e junto com você, e das piadas sem graça que eu te contava enquanto estávamos pendurados ao telefone, e das gargalhadas altas que eu dava das suas histórias engraçadas da puberdade.
Mas sobretudo, amor, me prometa que nunca se esquecerá de nós. Lembre-se, que seja por um minuto, por um momento ou por uma vida. E se a saudade bater, saiba que você ainda é infinito em mim.
Uma vez você me disse que a vida é feita de pequenos momentos importantes. E se a vida é um turbilhão destes momentos, que eu creio que realmente seja, eu espero que você saiba que eu vou estar arrependida, onde quer que eu esteja, se eu não aproveitar ao máximo esse presente que a vida está nos dando agora, o presente de estarmos juntos.
Encosta sua cabeça aqui, me conte outra história, sorria e durma, nunca se esqueça que eu vou estar aqui, mesmo quando eu não estiver, eu vou estar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A história de João e Julia parte III

Sabe aqueles dias em que acordamos com um proposito bem formulado? Aquele dia que é o nosso dia D? Pois este foi o sentimento que João sentiu em uma terça feira qualquer enquanto pedalava sua bicicleta e ouvia o seu Podcast sobre cultura nerd geek a caminho do trabalho, ele se sentiu frustrado por ter perdido tanto tempo por medo de se declarar à Julia e foi quando se deu conta que esta covardia estava lhe roubando mais do que seu temor falsamente mensurava. 
Foi então que passou a idealizar a melhor forma de fazer esta abordagem, só o fato deste pensamento o deixou extremamente ansioso e por isso mesmo ele se atentava em vislumbrar cada detalhe de modo a parecer tranquilo e não transpassar o quanto estava afoito uma vez que demorou muito tempo para que ele conseguisse adquirir coragem para demonstrar seus reais sentimentos. 
Naquela terça João não rendeu nada em seu estagio, pois seu pensamento estava em Julia e em sua abordagem, pensou em flores, bombons, mas viu que estava se precipitando e optou por ir de cara limpa, ele sabia que Julia estudava em um campus a 15 minutos de seu trabalho, mas não sabia quais os horários de Julia então achou que fazer um contato prévio seria mais assertivo, então chamou Julia no WhatsApp com o clássico: Oi, tudo bem? Foi então que o momento entre os dois tracinhos ficarem azuis foram uma eternidade, olhava o celular minuto a minuto até que Julia o respondeu falando que estava tudo bem, perguntou como ele estava e o motivo do sumiço, ele usou a alegação de sua rotina atribulada, o que de fato era verdade até certo ponto, perguntou as novidades da faculdade e contou as suas, foi então que Julia disse que estava com saudades dessas conversas e lhe perguntou porque eles haviam se afastado, naquele momento João travou e ficou aliviado por aquela conversa não estar acontecendo pessoalmente pois com certeza ele iria travar e não teria resposta correndo o risco de possivelmente gaguejar, pensou bastante e resolveu desconversar e falar que pensava a mesma coisa e que por isso queria sair pra dar uma volta, tomar um café e por o papo em dia. 
Julia demorou uns 15 minutos para responder, pediu desculpas, e justificou ter tido que atender uma chamada, falou que achou a ideia genial, ainda mais que queria lhe mostrar umas músicas novas que havia baixado e perguntou se podiam marcar para amanhã as 19 horas. Aquele momento foi meio estranho pra João que sentiu um frio na barriga ao ver seu desejo se concretizando, apesar de que ele ainda não havia dito o real motivo de sua abordagem. Combinaram os detalhes e até a chegada da data e horário marcado João sabia que sua mente viveria um misto entre ansiedade e tensão, pois apesar de ter tido atitude e iniciativa o medo de seu sentimento não ser correspondido ainda era grande, mas ele sabia que precisava se declarar e libertar seu coração daquela angustia.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A Outra

Exatamente, eu sou a outra. Algum problema? E antes que responda reflita sobre o que tenho a dizer.
Eu sou a mulher que ele não apenas olhou passar diante de seus olhos castanhos, mas a mulher que ele lutou para conquistar, ao contrário do que pensa, eu nao fui fácil, fui bem dificil, as coisas foram bem difíceis.
Não sou qualquer uma, eu sou a mulher que enfrenta as suas próprias batalhas, a que vive seus grandes sonhos, a que não desiste, não dependo nem financeiramente ou emocionalmente de qualquer um.
Eu sou aquela mulher, não vadia, que ele mandou entregar um buquê de rosas no trabalho, e antes que mendigue palavras te digo que tenho trabalho digno.
Sou eu a vadia que ele desejou amar, não apenas fazer sexo, mas amar. Ele beijou a minha testa, me abraçou quando precisei, o abracei quando precisou, fomos amigos e companheiros um para o outro. 
Claro que jantamos em locais que ele nunca te levou, transamos em todos os cômodos de uma casa, obviamente visitamos vários motéis, mas foi além disso, amor vai além disso, temos o que casais, como você e ele, não tem.
Ele foi namorado, noivo e marido, sem ter a mínima necessidade de entregar-me um anel caro.
Houve dias de pedirmos o prato mais caro do restaurante, assim como houve tempos difíceis que comemos pão, apenas pão. Como disse eu enfrento a minha batalha e desde que nos encontramos lutamos lado a lado.
Você é a mulher que dorme com ele todas as noites, a que vai nas reuniões familiares de domingo, a que roda o mundo com ele, a que tem aliança, a que foi até o altar de branco, você sabe que você de certa forma tirou grande parte de mim, mas apesar disso eu sei que eu ainda venço.
Ele sai da minha casa e vai para a sua, machuca, mas eu ainda venço.
Pode gritar que sou vadia, que ele só quer sexo, grita mais, mas no final você sabe que amor de verdade é apenas entre mim e ele, que relação de verdade é entre mim e ele, sem plateia pra aplaudir e mesmo assim damos um espetáculo de te deixar incrédula, no final você sabe quem eu realmente sou, e sabe ainda mais, quem realmente você é.
A outra.

sábado, 17 de junho de 2017

AME GRANDE


O amor é o ridículo da vida, já dizia Cazuza muito antes de eu entender o que era amor. Se você não quer parecer ridículo, não ame.
O que além do amor te faz ficar olhando para alguém como um idiota? O que além do amor te faz ficar ao telefone em uma competição ridícula de quem desliga primeiro: " - Desliga você! -Não, Desliga você!" E acaba que nenhum dos dois desligam e aquilo vira só um motivo para ficar mais alguns minutos pendurados ao telefone. O que além do amor te faz suspirar só em imaginar alguém? O que além do amor te faz tremer só em ouvir uma voz? O que além do amor te faz cometer loucuras, parecer um idiota, falar como um idiota, fazer planos como um idiota, e querer ser amado como um idiota?
Amar é correr o risco de viver sendo ridículo, e mesmo assim não se importar. Talvez você diga que nunca mais será ridículo novamente, mas vai descobrir com o passar dos anos, e das pessoas que amar, que cada novo amor é, na verdade, uma nova chance de ser e parecer ridículo, e acredite, você será ridículo.
Quer saber, eu também quero ser ridícula. Quem não quer?
Eu quero me casar. Me imagino na varanda da minha casa, sentada, olhando feito idiota o homem da minha vida brincando com nossos filhos. Me imagino pensando agradecia: - Puta que pariu! Como eu tive sorte de encontrá-lo!
Sim, eu me imagino deitada na rede com ele, fazendo cafuné, contando histórias bizarras da adolescência e ouvindo ele dizer entre um sorriso e outro: “- Que bom que você me encontrou… Salvei sua vida da melancolia.”
Eu me imagino esperando ele chegar do trabalho, completamente nua, na nossa cama, louca de saudade, louca de vontade e nervosa como se fosse nossa primeira vez. Todos os dias serão nossa primeira vez. Todas as vezes que fizermos amor, será como se não fôssemos fazer mais. Para que assim, possamos aproveitar mais.
Quero aproveitar dele cada sorriso, cada cara safada, cada pequeno espasmo quando ele gozar. Gozaremos e desfrutaremos de cada milímetro do nosso tesão... Juntos!
Quero almoço de domingo na casa da sogra, todo mundo conversando junto, todo mundo rindo junto, e ele me olhando apaixonado enquanto abraço a mãe dele, não sabendo qual de nós duas ele ama mais.
Quero um filho com o homem que amo, com o homem que escolhi para passar a vida, mas quero mesmo é aquela sensação gostosa dele me acordando só para fazer carinho na minha barriga, e quero também aquela coisa ridícula que os pais fazem enquanto conversam com o bebê.
Quero alguém para me apoiar, para dizer que vou conseguir, para me motivar a escrever um livro mesmo achando que eu nasci para brigar em um tribunal.
Quero alguém que me lembre todos os dias o quanto eu sou linda, o quanto sou amada, e nem precisa ser dito com palavras, alguém que mesmo sem querer, sem intenção, consiga me fazer sentir a mulher mais especial do mundo.
Quero ser a escolha de alguém. Quero ser o sorriso de alguém. Quero ser o sonho de alguém. Quero entrelaçar meus dedos nos de alguém que nunca, em hipótese alguma, os soltará. Quero ser a razão de alguém parecer idiota também.
Quero endereçar todas as coisas lindas que eu escrever para alguém. Quero que cada texto meu fale da alegria que é viver com ele, ser amada por ele, encontrá-lo na minha cama todas as manhãs, tardes e noites. A alegria que é amá-lo também.
Quero surpresas. Quero fazer surpresas. Quero comemorações em datas especiais, e em datas não especiais também.
Quero preparar o café. Fazer aquele bolo que ele mais gostar, adoçar o suco do jeitinho que ele ama. Tornar todos os nossos dias, em dias especiais.
Quero uma música só nossa. Aquela que ao tocar vamos cruzar nossos olhos, sorrir, e nos lembrar com carinho de todas as coisas que já fizemos juntos. Quero fazer amor escutando ela.
Quero um dia inteiro com ele embaixo das cobertas. Fazendo carinho, rindo de bobagem, falando bobagem, sentindo o cheiro, o gosto. Fazendo amor e falando de amor mesmo sem pronunciar uma única palavra.
Quero sair com os amigos dele. Rir das bobagens que eles falam. Viajar para um lugar especial.
Quero amá-lo todos os dias que merecer, mas quero amá-lo ainda mais nos dias em que não merecer. Quero que ele lute por mim, por nós, e me ajude a remar nosso barco mesmo quando acharmos que vamos naufragar. Porque o amor é isso, o amor é a constante luta para sobreviver… Juntos. No amor não existe a possibilidade de só um escapar ileso das tempestades. Se ele pula, eu pulo. E juntos vamos superar quaisquer obstáculos. Quem foi que disse que o amor só é bom se for bonito?!
Eu quero que exista amor nos momentos de alegria, de sorrisos intermináveis, de família reunida, de fotos para marcar histórias… Mas quero, principalmente, que exista amor nos momentos de tristeza, de lágrimas dolorosas embaixo das cobertas, de saudade, de brigas… Quero que o amor seja o suficiente para que ele volte para casa depois de uma longa discussão em que ambos passemos dos limites. Quero que ele entenda que nunca devemos dormir brigados, e que o lugar dele é ao meu lado, em nossa cama. Com amor nós superaremos tudo.
Quero cozinhar junto com ele. Realizar aquele fetiche dele me abraçando pelas costas e me fazendo carinhos em lugares que antes dele eu desconhecia, tudo isso enquanto eu preparo nosso jantar. Quero sexo na cozinha, na mesa que vamos jantar daqui meia hora. Quero estar sempre disposta para ele. Quero ser lembrada que sou dele, porque ser dele me lembra o quanto sou minha, o quanto meus desejos são meus e dele. Meus com ele.
Quero lavar a louça enquanto ele seca. Guardar a louça porque ele nunca sabe onde ficam as coisas.
Quero aprender a olhar a hora (haha), saber responder rápido, sem precisar escrever no ar, qual lado é o direito e qual é esquerdo.
Quero fazer planos. Quero não fazer planos também.
Quero ter braços fortes para me abraçar, corpo quente para me esquentar. Quero ter por quem e porquê voltar.
Quero ser ridícula! Me orgulhar de ser ridícula e ter alguém para se orgulhar comigo.
Quero ser amada de volta.
Quero amar grande.
Porque o amor é grande.
O amor é ridículo.
O amor é raro.
O amor é paradoxo.
O amor é inexplicável.
Ame grande também e talvez um dia você entenderá...

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ainda não foi dessa vez...

Já era para eu estar em casa, atrasei terminando um relatório, quando pego meu celular para ver as horas tinha uma chamada perdida no telefone, era Gisele, uma história antiga e indefinida, queria simplesmente ignorar, mas não consigo, Gisele sempre teve esse poder, nos conhecemos a anos e nos encontramos pessoalmente pouquíssimas vezes, porém todas marcantes.
Atendi o telefone e fui surpreendido com um convite para "tomar umas", Gisele sempre foi de bebedeira, mas nunca de me chamar, aceitei o convite para ver onde isso iria dar (querendo que desse em alguma coisa ou lugar).
Chegando no bar foi bem difícil me entrosar com os amigos dela que eram falastrões, ao contrário de mim que sou bem tímido, mas o papo foi fluindo no decorrer da noite, e sinceramente por mais bacana que estivesse eu ansiava por um momento apenas meu e dela, por isso disse que ela poderia cancelar o Uber, pois eu a levaria em casa.
Fomos embora, a levei em casa e ficamos conversando no carro pra lá de duas da manhã, fiquei ali perdido em seus olhos procurando coragem e quem sabe uma brecha para beija-la, mas não encontrei nenhuma das duas e tive de vê-la partir em um lindo sorriso e um adeus frustrante para mim.
Ainda não foi dessa vez, quem sabe da próxima...

terça-feira, 13 de junho de 2017

Culpado

Existe aquele momento único, aquele que você levanta a cabeça, olha para aqueles olhos, vira pro lado, olha de novo e pensa que poderia olhá-los pelo resto dos seus dias. É eu sei, é esse olhar que faz você perder a cabeça, que quando você percebe, já não existem outros olhares, você sente seu corpo fora do compasso ardendo em chamas, e sorri pois já fazia tanto tempo desde o último.
Então você vive na sua cama cada momento que nunca irá acontecer, os mais fofos, os mais quentes, fantasia menina, pois isso será memorável apenas em tua memória, e esquecido quando a sua decepção tornar-se uma arma de guerra apontada para tua cabeça.
Conseguiu sentir o que é aquele olhar?  Aquela menina sentiu na pele, nos músculos, nos ossos e nos órgãos.
É você sentiu ele, ela acreditou que você teve aquele mesmo olhar, aquela tremedeira na mão, ela achou que você sorriu de nervoso, e talvez aquele olhar tenha te tirado o ar, mas você não queria apenas um grande amor, um olhar, você queria todos, desejou todos, até os que eram simples olhares você deu um jeito, ela nunca pensou que você faria bom proveito das suas seis horas de expediente.
E se o vento tivesse soprado o som do teu nome no ouvido dela, ainda assim não teria acreditado, ela fantasiou sim, mas sabia até onde historias infanto-juvenis eram verdades, a reciprocidade não é algo comum na sua vida. E mesmo que as estrelas formassem seu rosto no céu numa noite sem nuvens, ela ainda assim não teria acreditado, a tolice não lhe acertava tão facilmente, mas quando o sopro veio de tua boca e o rosto projetado foi o dela em teu olhar, ela acreditou, acreditou sem dúvidar, sem criticar ou pestanejar, mal sabia que você tinha o dom das estrelas de encantar e do vendo de levá-las embora.
Que pena, eu me sinto mal em contar-lhe o quanto você foi tolo, usou o mesmo truque com todas.
Ela se apaixonou de vez quando você sorriu e ela ficou com as bochechas rosadas, quando ela se aproximou e tu sem pensar beijou-lhe os lábios, lábios macios, de tal forma que os pés dela não estavam mais no chão, como se tocar o céu fosse mais do que simplesmente possível, foi ali que ela viveu cada sonho, cada produto da sua imaginação fértil, foi ali que ela encontrou a paz.
Mas como disse, você ainda tinha 6 horas de expediente, milhares de olhares para responder, e o dom de levar todo o encanto das estrelas embora.
Ela acreditou em vocé, sentiu que não era apenas aquilo, sabe "aquilo", de maneira desprezível.
Eu te pergunto aqui e agora, até onde iria por amor? 
Ela foi até a fronteira do céu e inferno, vivenciou os dois lados ao mesmo tempo, até quando suportaria? Lembrar de como era o céu e olhar a sua volta e se ver sozinha no inferno, dias depois ou até mesmo 6 horas depois, isso a destruia.
Talvez para que todos os seus pedidos se realizassem bastava derramar uma lágrima como prova de amor, eu vi a primeira, eu vi todas, uma por uma cair.
Sabe até onde ela iria por amor? Até aqui, ela veio até aqui te olhar pela ultima vez, lembrar o quanto ela se via feliz com você, e apesar de te odiar quando olho nos seus olhos ainda vejo o que ela, digo, eu senti.
Eu rezei, orei, fiz coisas que eu nem posso dizer, fui forte, mas não adiantou.
E finalmente chegou aquele momento que todos disseram que chegaria, o dia em que eu desistiria de você, por mais que negasse e te desejasse, não foi o suficiente.
E se você era o motivo de tudo, foi o motivo do que aconteceu-me quando cheguei aqui e te vi perder o chão, me vi em frente uma gaveta de facas, seria rápida pois não havia tempo, seria profundo para conseguir tirar você de dentro, assim eu parti, sabe aquele olhar? Morreu.
Entende? Ela morreu, ela se foi, e eu estou finalmente livre da felicidade ilusória que me matava a cada segundo.
Apenas vim aqui para te falar que mais trezentos me matarão e aquela garota acreditou fielmente que você seria o salvador, ela te viu como um grande castelo e agora é apenas uma ruína, ela viu um reino cheio de fartura, que agora clama por algo real.
Aliás, na verdade não foi suicídio, foi homicídio, mas as leis do coração quem dita sou eu, então tenha sucesso nas tuas seis horas de expediente.

domingo, 11 de junho de 2017

O ÚLTIMO TEXTO PARA VOCÊ


É manhã de domingo, da janela do meu quarto eu vejo alguns finos raios de sol que entram através das frestas da cortina, eu começo a me lembrar que não sei que dia é. Decidi não contar mais os dias depois que você foi embora. Não quero ficar me prendendo a sua ausência. Mas confesso que é quase inevitável não pegar o celular esperando que tenha uma mensagem de “bom dia” sua.
A decepção, ao contrário do que muitos dizem, não é culpa de ninguém além de nós mesmos. Expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos, isso são coisas que uma mulher aprende desde muito jovem. Achei que eu havia superado essa coisa de viver sem esperar nada de ninguém, mas aí apareceu você.
Eu gostaria de ter sido indiferente aquele sorriso lindo que você abre quando eu falo uma besteira. Gostaria de ter ignorado suas mãos segurando as minhas enquanto eu falava sobre qualquer coisa que não me lembro agora. Gostaria de ter sido indiferente aos carinhos depois que fazíamos amor. Aquela coisa de deitar minha cabeça no seu peito e ficar contando os batimentos do seu coração, que por vezes estava tão descompassado quanto o meu. Gostaria de ter sido indiferente ao gosto do seu beijo. Gostaria de não ter me visto dentro dos seus olhos as tantas vezes que nos encontrávamos. Gostaria de não sentir que existia muito mais que química sexual entre nós. Talvez um sentimento sem nome, muito mais que sexo, porem menos que amor. Gostaria de não ter esperado nada de você. Gostaria de não ter gravado o cheiro do seu perfume no meu vestido. Um dia desses peguei-o para lavar mas senti seu cheiro nele, resolvi guardá-lo no mesmo lugar, assim eu ainda teria uma parte de você por mais tempo. Gostaria de ter mais do que dois meses de nós dois para contar as pessoas. Gostaria de não torcer para o Palmeiras quando sei que ele está jogando. Eu gostaria de não imaginar tantas coisas com você, por você, de você… Mas desde o momento em que pus meus olhos em você, tudo que tenho feito é imaginar coisas lindas ao seu lado. Sejam as risadas que eu havia guardado para nós, sejam as histórias que eu não contei, sejam as coisas que planejei… Você trouxe uma alegria diferente para meu coração, e agora, longe de você, tudo que me resta é esquecer os dias que não te vejo. Esquecer os segundos que não ouço sua voz. Esquecer você. Aos poucos. Como uma pia que goteja água até esvaziar a caixa. É assim… Imagino que um dia, talvez em uma outra manhã de domingo, eu acordarei, abrirei os olhos, a janela, e deixarei o sol entrar. Não vou mais me lembrar de você. Não vou mais querer esbarrar contigo em algum canto dessa cidade. Nem vou me importar se você dormiu bem durante a noite, se chegou bem de viagem. Não vou mais me preocupar se você está resfriado, se sua garganta melhorou, se está se agasalhando a noite, porque o friozinho aperta de madrugada. Não vou me importar se alguém partiu seu coração, nem vou te aconselhar a se dar uma oportunidade novamente. Neste dia, você será só um cara. Um cara que passou pela minha vida. Um cara que poderia ter sido tudo, mas escolheu ser nada. Vou esquecer seu nome, e forçar minha memória a lembrar, e dizer: “Ah, aquele cara?! Como era mesmo o nome dele?!”

Você será só uma lembrança que minha cabeça forçou meu coração esquecer. Será só mais um. E você poderia ter sido tanto… Mas, por enquanto, eu fecho os olhos para os raios de sol não incomodar minha vista, e secretamente faço uma prece. Com meu coração, eu peço a Deus para te trazer bem de volta para casa. Peço a Deus para que eu supere a saudade que sinto de falar com você. Peço a Deus para trazer você de volta pra mim… Mas sempre repito ao final: Que nossas vontades estejam de acordo, Senhor, porém se não estiverem, que as Tuas prevaleçam.
E talvez um dia você entenda, que não foi o tempo ao seu lado que determinou o sentimento, mas que foi o tempo longe de você que o findou.
A ausência acelera o processo de esquecimento. A indiferença acelera a aceitação. A distância determina a quantidade de dias que isso vai levar para acontecer. Mas só o tempo tem todas as respostas. Só o tempo.


sábado, 10 de junho de 2017

Viva sem moldes (Post Inaugural Debora)

A gente monta todo um quebra a cabeça, e a vida vem e faz a gente quebrar a cabeça. Mostra-nos que nada é como imaginamos, e sabe o que é melhor? Que nada do que planejamos dê certo. A vida não deve ser moldada, ela deve nos moldar.
Bem se não fosse pelo seu sorriso encantador eu poderia estar na Austrália, trabalhando em algum escritório chique. Quem sabe Nova York esperando que algum estranho pare e aprecie o Empire State Building, eu o olharia com brilho nos olhos e pensaria "quem sabe alguns filhos?".
Mas por conspiração do universo, destino ou por conta de algum ser divino isso não aconteceu. 
Juro que sonhei com o meu sorriso em cada canto do mundo. Juro que me vi com roupas típicas de um  país estranho. Algumas vezes mentalmente estive sob o sol da meia noite, assim como estive sozinha na lua do meio dia. Lembro-me que em algum sonho eu estava na maior roda gigante do mundo, desta vez acompanhada, mas eram apenas estranhos. Lembro-me de ter um sonho tão real que pude sentir o gosto do arroz gelado e algo cru inchar dentro da boca.
Se todos os meus sonhos, ou um deles houvesse acontecido, eu teria perdido o melhor da vida. Eu não veria você espremer seus olhos contra os raios do sol para me olhar mais de longe, de fato não veria a luz da lua através dos seus fios bagunçados. Não saberia como é estar tão alta e tocar as nuvens, pois não tocaria os seus dedos. Não provaria o gosto do seu beijo que incha o meu coração de forma que já nem cabe no peito. Eu não sentiria o melhor de você, o aconchego da minha moradia em teus braços.
E eu posso dizer que cada sonho se resumiu a você no dia que senti o teu e o meu vazio ao entrar naquele bar.
E talvez eu esteja enganada, e tenha perdido o melhor da vida, o melhor do mundo, mas eu ganhei o prazer de viver sem moldes.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Conselho de Amiga

Hoje eu acordei feliz porque te conheci.
Já chega de sentir pena de mim mesma ou tentar arrumar um culpado porque não deu certo. Na verdade, deu muito certo.
Você trouxe uma luz diferente pra minha vida, me ensinou em pouco tempo que eu mereço algo melhor, melhor até mesmo que você, não é?
E tudo bem! Agora eu consigo enxergar bem melhor a situação. As vezes Deus permite que certas pessoas e situações aconteçam em nossas vidas, para que estejamos preparados para situações parecidas no futuro, e prontos para a pessoa certa, quando ela chegar.
Não é que eu tenha superado você, mas superei a vontade de estar com você. Agora eu entendo que talvez sejamos melhores separados, você seguindo sua vida e eu a minha. Ainda torço e espero que você supere esse seu medo de amar e se arriscar.
A vida é muito curta para vivermos dosando nossos sentimentos. Aprenda uma coisa, o amor é uma daquelas coisas raras da vida. Se permita senti-lo. Não deixe que ele passe despercebido por você. Quando ele bater a sua porta, receba. Abra, não só a porta mas o coração, a cabeça. É para isso que estamos aqui, para arriscar, tentar, e se cairmos tentar novamente. Essa é a coisa fascinante da vida: Saber que sempre poderemos começar de novo.
Se eu puder te dar um conselho, aqui vai ele: Aproveite as oportunidades que lhe são dadas.
Sorria como se você não fosse mais sorrir. Abrace como se você não fosse abraçar novamente. Diga, antes que seja tarde, qualquer coisa, mas diga! Não se amedronte. Não corra, mas se correr eu desejo que você tenha braços quentes para te acolher. Chore, porque ainda não inventaram remédio antidepressivo mais eficaz que o choro, aquele de desabafo. Coloque pra fora tudo que você achar que deve. Brigue. Não deixe para falar amanhã. Mas não se esqueça de fazer as pazes antes de dormir. Nunca durma brigado com ninguém. Assuma seus afetos. Assuma seus ciúmes. Assuma seus defeitos. Esteja preparado para dias ruins, mas não perca a esperança nos dias bons. Confie. Não importa quantas vezes você quebrou a cara, um novo dia traz consigo novas oportunidades, novas pessoas, e portanto novas chances. Dê uma chance a si mesmo. Perdoe. Aceite que as pessoas erram, mas não aceite que elas te façam de idiota. Quando você for amado, retribua. Quando você for beijado, beije também. Se arrependa somente daquilo que você não fizer, pois o que já fez, está feito, não adianta chorar pelo leite derramado. Grite gol, grite “eu te amo”, não deixe que o medo de perder, ou o mundo cale a sua voz. Esqueça a etiqueta na hora do sexo. Só esteja presente em todas as partes dela. Ligue. Demonstre afeto. Ninguém perde por dar carinho, mas perde por negar. Faça loucura. Seja louco. Pare de se preocupar com todo mundo, se preocupe apenas com você. Aproveite seu filho! Esteja presente mesmo quando ausente, e sempre que ele precisar se lembrará que pode contar com você. Ame. Se apaixone. Tenha por quem voltar para casa. Se sentir saudade, me procure… Se precisar de um ombro amigo, me chame… Se se sentir triste, me ligue… Não se esqueça de mim. E se me esquecer… Você já sabe, que seja bem devagarinho.
Te cuida. Cuide de alguém. Fica bem.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Primeiro Cara

Não era você. Não tinha o seu cheiro. Não tinha o seu gosto. Não ria das minhas piadas sem graça. Não falava coisas engraçadas para eu sorrir. Não segurava minha mão com a mesma firmeza que você.
Decididamente, não era você. Não beijava como você. Não tocava como você. Não falava como você.
De igual a você ele só tem a profissão. De igual a você ele só tem o furinho no queixo e os olhos de cílios longos. De igual a você ele só tem a vontade. Mas a vontade não basta, né? Se bastasse eu não estaria longe de você neste momento...
Não era você, mas mesmo assim abriu a porta do carro pra eu entrar. Não era você, mas me tratou com o mesmo respeito. Não era você, mas me contou sobre desilusões amorosas. Não era você, mas elogiou minha boca. Não era você, mas tinha um sorriso lindo. Não era você, mas ficava tímido com elogios. Não era você, mas me mandou mensagem quando chegou em casa agradecendo pela noite. Não era você, mas me ligou antes de dormir. Não era você, mas me levou a sério. Não era você, mas gostou de mim. Não era você, mas falou que eu sou diferente das outras...
Talvez eu até gostasse dele em um outro momento, em uma outra ocasião, quando meu coração estivesse desocupado, desalojado, desapropriado, e livre para escolhê-lo.
Mas hoje, infelizmente, ele não era você, e eu queria tanto que fosse!
Queria tanto!
Ele não era você, mas talvez eu consiga fazer ele ser. Talvez eu consiga esquecer você. Talvez amanhã eu já não o chame por seu nome sem querer. Talvez as coincidências sejam uma forma de me fazer te esquecer. Talvez só talvez... Até lá eu vou continuar te procurando em cada rosto que eu encontrar. Até lá, eu vou desejar que todos sejam você.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A história de João e Julia parte II

Quase seis meses se passaram desde que se teve noticias de João e de seu sentimento platônico por Julia, e em seis meses muitas coisas mudam e não foi diferente com a vida de João, que agora iniciou a faculdade de arquitetura e já havia conseguido um estagio em um escritório de um arquiteto amigo de seu tio Carlos, resolveu aprofundar seus estudos em inglês e agora fazia aulas particulares com um instrutor via Skype, pois assim conseguia otimizar seu tempo, tempo este que estava cada vez mais escasso com o estagio e a faculdade, ainda mais que João havia ainda ingressado na autoescola para obter sua habilitação. 
Pode parecer pouco, mas para João que tinha apenas 19 anos isso era demais, ele se sentia vivo e ativo, sentia-se produtivo e isso era a válvula propulsora que ele precisava naquele momento, poder vislumbrar seu futuro e sentir se protagonista de sua vida, era uma experiência que lhe era única, mas em meio a tudo isso ele sentia que ainda faltava algo, talvez ate porque paradoxalmente o que ele almejou e depois julgou impossível que era se afastar de Julia acabou acontecendo devido sua rotina e o fim de seu ponto de encontro o qual era as aulas de inglês. 
E para endossar ainda mais a lista de desencontros da vida de João, Julia havia terminado seu namoro com Paulo a mais ou menos três meses, o que deixava nosso jovem ainda mais confuso, pois se já não bastasse sua assoberbada rotina e o sentimento de que algo faltava e que sem sombra de dúvidas o que lhe faltava eram as deliciosas conversas casuais com Julia, ele sentia que se declarasse seus sentimentos ela poderia entender que ele estava sendo apenas mais um oportunista, que estava querendo apenas se aproveitar de seu recente término e com isso perderia até sua amizade (mesmo que distante) com Julia, o que acabaria sendo uma perda ainda pior e com isso resolveu que seria mais sensato deixar as coisas como estavam, por medo de perder até o pouco que têm, mesmo que isso não mudava o fato de que toda vez que ouvia suas playlist de rock clássico (pois era um gosto que tinham em comum) ele repensava em sua decisão e era corroído pela duvida, pensava se valeria arriscar sua amizade agora distante para expressar seus sentimentos e descobri que quem sabe estes possam ser correspondidos, afinal de contas um coração apaixonado sempre é inundado de esperança, entretanto enquanto João não tomar coragem e se decidir nós não conheceremos o desfecho desta história.