segunda-feira, 20 de março de 2017

TODOS FUDENDO E EU ME FUDENDO


Ocorrida em 2008

Quando eu saí do estágio estava procurando emprego ou algo do tipo, não tinha muita experiência com softwares de detalhamento, mas já tinha uma certa experiência com projetos, devido a formação técnica e o estágio, foi então que eu colega meu que dominava detalhamento, mas tinha o déficit em projetos elétricos me propôs que juntássemos nossas competências para pegarmos projetos e dividir os lucros. Eu estava desempregado e precisando de grana, então foi a proposta perfeita para o momento. Aragão era meio doido e de hábitos noturnos questionáveis, mas bem relacionado e com um ótimo Networking, então resolvi correr o risco. 
O esquema era o seguinte: um engenheiro civil amigo de Aragão iria nos passar os projetos, como esse engenheiro trabalhava na prefeitura na parte da manhã, na parte da tarde íamos lá e combinávamos com ele os projetos, na parte da noite íamos para a casa de Aragão e viramos a noite executando os projetos. 
Na verdade, a divisão dos trabalhos era um pouco mais complexa e desleixada: Éramos um grupo de 4 rapazes, eu, Aragão, Julio e Linux, porém Linux não era projetista, apenas formatava uns computadores para formatar, mas ficava com a gente pois já era amigo de Julio e Aragão. Todos os três fumavam, então nossa rotina era mais ou menos assim: Na parte da tarde nos encontrávamos no escritório de engenharia, pegávamos os projetos e discutíamos a parte de cada um em sua execução, depois disso íamos até uma padaria comprar o cigarro que eles fumavam, ficávamos conversando e bebendo em uma praça da cidade que era point de roqueiros e uma galera mais alternativa, depois de umas 21:00 íamos para a casa de Aragão e começávamos o projeto, sempre trabalhávamos regados muito rock in roll e cerveja, virávamos a noite e dormíamos a manhã toda, depois na parte da tarde o ciclo se reiniciava. 
Em um desses dias estávamos na praça como de costume quando aparecem duas amigas de Linux e ficamos ali conversando e falando besteiras com as meninas, até que Aragão as chama para sua casa, lá sempre tinha cerveja mesmo, só faltavam as garotas para ser o trabalho perfeito, as meninas aceitam e chamam uma terceira amiga, essa, porém era desconhecida de todos. 
Chegando na casa de Aragão ninguém quer saber de trabalhar, apenas beber e paquerar as garotas, até que um vizinho de Aragão ouve o barulho e cola lá também, pronto agora não era mais trabalho, tenha virado uma farrinha de amigos, parece que os rapazes tinha se esquecido do trabalho, e eu era dentre eles o que mais precisava de grana no momento, não me restando outra opção senão pegar uma garrafa de cerveja e ir para a frente do computados, quando me dou conta, Linux está transando com uma no quarto (parecia que estava batendo na menina, nunca vi ninguém gemer daquele jeito), Julio com outra na varando, Aragão bêbado e sozinho na cozinha e o vizinho de Aragão chupando os peitos da outra no sofá ao meu lado enquanto em meio a tudo isso eu tento apenas terminar o projeto(foi difícil, mas eu consegui), o problema é que naquela noite eu não tinha avisado em casa que iria “dormir” fora e para completar a merda meu celular descarregou. 
Terminei o projeto lá para as 4:00 da manhã, fui dormir um pouco e acordo lá para as 08:00 com o telefone fixo da casa de Aragão tocando, de ressaca e morto de cansado atendo, era meu pai que diz que passou a madrugada inteira me procurando em hospitais preocupado comigo pois eu não avisei (as vezes meu pai se excede), e que estaria passando lá para me buscar, quando me dei por mim novamente estava no carro com ele e me lembro dele falar muito, mas tomado pela ressaca e pelo cansaço não me lembro muito do que ele disse. Foi então que resolvi que a partir daquele dia eu iria pegar meus freelances por conta própria, foi muita treta para uma pessoa, não tem networking que valha tanta confusão! 

PÓS HISTÓRIA 
Apesar de todas essas confusões foi assim que aprendi a desenhar, e hoje eu e Aragão ainda trabalhamos com desenhos e projetos, porém sem álcool e mulheres, mas sabe como é, “escola” é sempre “escola” e ainda lembramos dessa época com certo saudosismo e nostalgia.

Escritor Misterioso

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