quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Cidade

Andando pela rua
Contemplo
Prédios, sujeira, fedor
Sinto
Angústia, pressa, azia
Procuro
Abrigo, chove, me molho
Acho
Marquise, me escondo, espera
De repente
Casal, risadas, beijos
Me pergunto
Esperança, possível, quem sabe
Sorrio

Caminhar, chuva, por que não?


Sobre o autor: Jessica Alexandra, atriz, nerd e sonhadora. Paulistana que quer desbravar o mundo. Além de textos, quero escrever o meu futuro.

Doce Ilusão

Quando você acredita em algo e confia que vai acontecer, como você reage quando não acontece? Ou você não cria expectativas pra não se frustrar? Gostaria de não cria-las, mas elas me perseguem, grudam em mim.
Eu acreditava que talvez pudesse haver algo entre nós dois; "queremos a mesma coisa" ou "ele é perfeito pra mim"; e aí simplesmente não acontece, desanda. Nem um papo, nem uma boa conversa e aí as chances se esgotam, os olhares não se cruzam mais e as pessoas não imaginam mais vocês dois juntos. Eu disse que a esperança é a última que morre, mas isso quando se tem esperança, o que não é mais o meu caso, meu querido. E aí você nota que não significa nada pra pessoa e que quem criou a ilusão que a alimente, e eu alimentei demais.
Não culpo ninguém pelos meus planos fracassados. Eu acredito que a culpa de tudo é minha mesmo, eu assumo, então é como dizia Lulu "o que eu ganho e o que eu perco ninguém precisa saber".
O que eu acho mais difícil ainda é encontrar você todos os dias e não poder te abraçar nem chegar perto de você, te olhar e dizer o quanto eu gostaria de ficar te admirando sem julgamentos. Eu queria sim, sabe porque? Porque a cada dia eu sinto que você fica mais distante de mim; que o meu desejo de ficar perto vai me mostrando que a realidade é outra totalmente diferente. Eu me perco quando te encontro e o único lugar que posso ficar com você é nos meus sonhos. Ali você é meu, todo romântico. Você me manda flores e declarações, mas só ali. Na rua sou apenas mais uma, sou apenas alguém que você diz "Oi, tudo bem?"    e não passará disso. Nós sabemos. O mais difícil não é saber disso, é aceitar. Juro que gostaria que isso nunca tivesse acontecido mas não mandamos no nosso coração.
Enquanto isso fico aqui aguardando pelo próximo "Olá".

Boa noite, meu amor

Eu sonhei com você esta noite. Um desses sonhos que parece se desenrolar inteiro dentro de 3 segundos. Um desses sonhos confusos que a gente deixa cair quando acorda assustada, perdendo seus pedaços pelo chão.
Mas eu sonhei com você esta noite. Você estava lá. Você estava nos meus pensamentos quando despertei. Você estava no meu coração em forma de saudade.
Você estava nos meus sonhos, mas fugiu assim que meus olhos se abriram. Em um momento eu via você, ali, na minha frente. No outro, já não via mais. Algo me tirou daquele sonho como se tirasse um band aid. Arrancar você de mim assim doeu.
O quarto estava escuro e silencioso. A cama estava fria, e meu corpo também. Mas eu amava aquela brisa da madrugada entrando pela janela, e aquele céu pintado de estrelas em cima da minha cabeça. Sua ausência me fazia falta, me fazia triste. Você não estava comigo, mas não estava longe. E aquele céu… Ah, aquele céu era o mesmo para mim e para você.
Puxei o cobertor que a noite me roubou. Puxei um travesseiro e o abracei. Queria você aqui comigo. Ansiava pelo aconchego dos seus braços, sentir sua pele na minha e seu calor que parecia queimar. O toque dos seus dedos me arrepiava o corpo e a alma. Eu precisava ouvir sua voz rouca me dizendo:
Bonsoir, mon bien-aimé.

Sobre o autor: Jéssica Nogueira, 25 anos, mineira. Advogada, formada pela Universidade de Itaúna, buscando seu lugar no mundo dos concursos públicos. Apaixonada pelos detalhes. Leitora, sonhadora e escritora de desabafos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Para Alguém Que Vai Chegar



Ei, você. Você que vai chegar, pois sei que a qualquer momento você vai entrar e bagunçar tudo que eu demorei anos para arrumar. Vai derrubar as barreiras que ergui no meu coração. Eu espero que você consiga me entender, muito melhor do que eu me entendo as vezes.
Sei que você deve estar por aí, assim como eu estou por aqui, quebrando a cabeça com as pessoas erradas. Se perguntando onde está aquela pessoa que fará seu coração palpitar só em escutar a voz, e caso você não saiba, eu estou aqui.
Talvez eu more a duas ruas da sua casa, talvez eu more do outro lado da cidade, ou até do outro lado do estado, mas sei que em algum momento vamos nos encontrar. Você sorrirá um daqueles sorrisos lindos e eu vou ajeitar o fio de cabelo atras da orelha porque seu sorriso vai me desconsertar demais para pensar em agir de outra maneira. Vamos saber, naquele exato momento, vamos ter a certeza que esperamos um pelo outro desde o momento em que nascemos.
Ei, você que vai chegar... eu preciso que você saiba que eu vou ser chata as vezes. E que alguns dias eu vou surtar, vou falar que não quero mais, que não aguento mais, que não posso mais, mas tudo que eu quero é que você me mostre que eu consigo, que juntos vamos conseguir. E mesmo que você tenha que partir no fim das contas, para sua cidade, para seu emprego, para sua casa... Eu quero que prometa que sempre vai estar no meu coração. Já experimentei estar sozinha a dois, e esse não é um sentimento que quero repetir.
Me prometa que não vai me afastar das pessoas que amo, e me prometa que não deixará que eu faça isso também. Pois aprendi que liberdade é a forma mais linda de amar. Eu espero que você me deixe livre. Estar livre não significa que não quero me prender a você, só significa que eu sei que posso ir quando bem entender. Contudo, eu quero que você esteja ciente de que eu retornarei para você. Sempre. Todas as noites e dias. Quero ser livre o bastante para me dar conta de que liberdade nenhuma serve se eu não posso te ligar para falar do meu novo vestido que quero muito tirar para você quando nos encontrarmos.
Ei, você que vai chegar... Sorria. Mas não um sorriso forçado, sem graça, sem jeito... Um sorriso de verdade, um sorriso meu. Aquele sorriso que todas as vezes que você me olhar você abrirá, e vamos sorrir juntos por saber exatamente o que o outro está pensando, seja safadeza ou a lembrança de uma boa história que queremos compartilhar. Me deixe te fazer sorrir. Me deixe te contar piadas sem graça e morrer de rir com a cabeça no seu peito, mas me deixe principalmente te contar piadas sem graça e ver você sorrir das piadas idiotas que eu contar. Seja doce. Seja amargo. Seja meu. Não queira mais estar em outro lugar senão nos meus braços. Não queira mais beijar nada além de mim. E me beije. Me beije onde quiser, onde sentir vontade, onde desejar, se tem uma coisa de que gosto mais do que sorrisos esta coisa se chama : Beijo.
Acredito, que um beijo cura tudo, ou quase tudo. Desde um machucado físico, até um machucado sentimental. Me beije se eu estiver brava com você por causa da fulana que te olhou mais cedo no mercado, me beije se você estive bravo comigo por causa do toco de saia que eu usei na boate. Me beije quando estiver com ciúme, me beije quando eu estiver com ciúme, me beije se eu chorar, se eu sorrir, se eu brigar, mas principalmente me beije quando eu não merecer, me ame quando eu não merecer, e esteja lá, fique, mesmo quando eu não merecer, seja constante, faça-se presente. Meu presente.
Ei, você que vai chegar... seja meu amor de domingo. Se esparrame comigo para ver um filme novo, ou uma série legal o Netflix, curta uma preguiça roçando o pé na minha panturrilha, estrelasse os dedos dos fios longos do meu cabelo e vez ou outra me faça perder uma cena importante do filme, só para me beijar. Só para me dizer o quanto eu fico linda vestindo sua camisa velha. Seja meu amor de domingo e me ajude a cozinhar, e esteja aqui para me ver experimentar roupas novas, e ria das pegadinhas do Faustão comigo -mesmo aquelas que não tem graça- esteja aqui aos domingos para um almoço em família, para irmos ao shopping fazer bobeira, para fazermos amor a tarde inteira e quando chegar a noite você vai querer mais, eu vou querer mais. E essa é a parte importante de ter um amor de domingo, é saber que no domingo que vem nós vamos repetir tudo isso, exatamente igual, só que dessa vez, eu prometo que vou te amar muito mais.

Ei, você que vai chegar... Não precisa ter pressa, mas não seja lento. Só venha na hora certa. Me faça sorrir daquele jeito bobo, e não se esqueça de uma coisa: Eu não vou ser perfeita, mas prometo que vou te amar. Vou te amar muito, só me ame também!

​Sim!

O desconhecido está sempre presente, em todos os lugares, inclusive em nós mesmos. E é interessante como algumas sessões de terapia, seja com os amigos, num momento de introspecção, ou mesmo com um profissional da saúde mental nos ajudam a retirar um pouco desse véu da ignorância. Em várias dessas muitas sessões percebi o quanto eu, e muitas outras pessoas, tem uma tendência natural para a negação. Não digo aquela negação freudiana que é um mecanismo de defesa pra recusarmos situações traumáticas. Digo desta: sobre dizermos não por ser mais fácil, conveniente. Dizer não a um convite, a uma saída, a uma pesquisa, a ler um livro, a ensaiar uma música nova, a adiantar a resolução de um problema, à vida. Deus! Como podemos dizer tantos nãos? É quase automático. Percebi que até nas construções mais simples de frases já são formadas em edição negativa, reparem: “você não quer dar uma olhada nisso?”; “você não vai lá não?”; “você não pensa em formar primeiro antes de começar uma coisa nova?” Estou, e estamos sempre cercados por uma enxurrada de nãos.
Embora eu nunca tenha sido do tipo, e recomendo que vocês não sejam também, que diz sim por educação pra quase tudo, acredito que não seja legal dizer não por automatismo e todas essas poucas questões aqui mencionadas.
Recentemente recebi um convite para escrever e fazer parte de um blog. Minha reposta imediata, adivinhem... sim, foi um não. Automático, nem sequer pensei na possibilidade. Mas então me veio à cabeça: eu posso tentar. Seria uma experiência nova, gosto de escrever. Não sei como as coisas vão acontecer, mas pode ser interessante.
Chegar ao sim, descobrir o sim, é abrir-se a novas possibilidades. É ir ao encontro do desconhecido. É dar vazão pra infinitas formas. É movimento, espanto, emoção, adrenalina, brilho nos olhos, contentamentos e descontentamentos. É uma rede interminável de descobertas, ora boas ora ruins, mas que nos dá a chance de escolhermos, amadurecermos e sairmos do marasmo. Descubram-se!

Sobre o autor: Geraldo Júnior, 26 anos, baiano mineiro, acadêmico de Ciências Contábeis e da vida. Meu coração é das humanas. Cantor, compositor. Ora introspectivo e tímido, ora desbocado e decidido. Sempre dando de pintor e produção de artes por aí.

Te aconselho...

Sabe moreno.... Só quero te pedir um favor. Presta bem atenção nessa guria que está do seu lado! Eu sei, não sou a voz da razão, nem quero na verdade, mas olha só como ela vive por esse teu amor, nem deixa espaço pra qualquer frescura ou neura. Só repara no modo como ela sorri pra você querendo te fazer acreditar que tudo pode realmente dar certo no final das contas, mesmo no fim de um dia merda no trabalho. Será que não sente como o corpo dela exala felicidade sem aquela bobeira chata de dosagem?
Eu sentada aqui, relembrando todos os conselhos amorosos que já foram ditos nesse mundo, penso como posso te fazer perceber que essa guria, do time das que se amam pra valer, vai acabar cansando uma hora de viver com alguém igual à você.
Ao contrário do que os teus amigos de bar falam, já passou o tempo dela de viver alucinadamente uma noite de cada vez. Hoje em dia meu amigo, a moça tá querendo teu abraço na noite fria e tua presença no dia à dia saca?
E tudo bem até eu sei que tu pode enlouquecer as vezes com esse jeito de mulher independente que ela têm, mas se quer mesmo saber… releva pois tu, se não largar de orgulho besta que insiste em alimentar, corre o risco de perder a mulher da sua vida para o próximo cara que souber o que tem nas mãos.
E digo para o teu bem um pouco mais... confia nesse sentimento gostoso que vocês compartilham um com o outro pois se ela for embora, realmente tomar a decisão de por um ponto final você é que vai sentir falta. E você sabe disso, eu sei que sabe. Tudo bem que vai doer nela,  é claro que sim, mas não esquece que as lutas dela já foram travadas lá atrás.
Pois bem guri, deixa pra lá o orgulho, fala sem rodeio, de peito aberto, com os sentimentos na mesa, que a sua vida vai perder a graça, vai perder a cor se ela sumir e levar o brilho que ela carrega em todas as manhãs quando acorda. Assume que vai acabar olhando pra qualquer rosto na rua e lembrar do formato das maçãs dela que tanto gosta e que provavelmente se meterá em problemas por causa disso.
Deixa ela saber o quanto a ama, mais do que imaginou amar qualquer outra mulher no mundo, não espera outro chegar e roubar todos os beijos que ela insiste em destinar aos seus lábios, os abraços que guarda reservadamente a ti e a mais ninguém.
Prometa fazer ela chorar de rir e estremecer de desejo nas melhores noites de amor, diga sussurrando em seus ouvidos que moça igual a ela não existe...Só deixa ela saber disso pelo amor de Deus antes que seja tarde.

Sobre o autor: Nathalya, 20 anos, paulista, leitora apaixonada e uma romântica inveterada. Comecei a escrever em um diário de papelaria, sem pretensão nem nada, acho que buscando uma forma de despejar no papel a confusão que eram os meus próprios sentimentos. Hoje em dia me inspiro em histórias de amor, pessoas na rua ou cenas que me marcam bastante.