quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sabor de Hortelã

Pedro sempre foi bem próximo de Lorena sua vizinha, se conheciam desde os 6 anos e sempre estudaram juntos, até emplacaram um romance por volta dos 14 anos, na verdade foi bem aquele namorico de época de escola, de andar de mãos dadas no recreio e de dividir o lanche, trocar uns beijos e uns amassos, mais nada além disso. Hoje lembram desta época apenas com nostalgia sem que isso atrapalhe a amizade e possam até trocar conselhos afetivos, o que atualmente pode ser denominado “friendzone”, Pedro até é zoado por alguns de seus amigos por isso, mas isso não o incomoda mais.
Lorena o convidou para seu aniversário de 21 anos, iria fazer uma "farrinha" em sua casa e o convidou, além de alguns amigos e amigas e uns colegas da faculdade de direito, Pedro achou que seria uma boa e resolveu aparecer, sem saber as surpresas que esta escolha poderia lhe revelar.
Já se passava das 22hrs quando Pedro chegou, ele não quis chegar cedo pois sempre achou brega ser o primeiro a chegar nas festas e ainda achava que chegando depois que a maioria era mais fácil de se entrosar com os demais. De algum modo ele parecia estar certo pois algumas das colegas de Lorena ficaram olhando para Pedro com um ar misto de interesse e curiosidade, porém Pedro se sentiu atraído por Layla, Layla era uma ruiva alta de seios fartos e corpo violão que estava dançando forró com sua prima Leticia, para Pedro a garota ruiva se destacava dentre todos e ele sentiu que precisava conhece-la de alguma forma, mesmo sem saber como fazê-lo.
Pedro se aproximou da mesa onde estava Lorena, a cumprimentou com um abraço e deu um breve oi se apresentando aos demais, não passou muito tempo e ele já estava familiarizado com os colegas de faculdade de Lorena e fazendo piadas entre administradores e advogados, já que era estudante do 5º período de administração. Lorena que era bem observadora reparou como Layla chamava sua atenção e chegou até os ouvidos de Pedro e disse?
- Ela se chama Layla, vai lá conversar com ela.
- Relaxa Lorena, tudo a seu tempo.
- Então tá, depois não venha reclamar.
Uns vinte minutos depois Pedro percebeu que Layla estava sozinha, já que Leticia estava bebendo com um grupinho que estava próxima ao barzinho, foi então que resolveu se aproximar e interagir com a garota.
- Oi, tudo bem?
- Oi, sim estou.
- Percebi que estava sozinha e senti que gostaria de dançar a próxima música e achei que seria conveniente te fazer companhia
- É, pode ser uma boa...
- Ah, desculpe minha indiscrição, sou o Pedro Mota.
- Sou a Layla e não precisa ser tão formal me informando nome e sobrenome.
- Desculpe, acho que o sobrenome nos definem e nos qualificam, pelo menos era isso que meu avô dizia.
- Sério? Seu avô dizia isso?
- Não, eu quem penso assim só não quis parecer um velho de 85 anos.
- Acho que agora é tarde, mas tudo bem, gostei de você, vamos dançar
Os dois começaram a dançar e Layla ficou impressionada como Pedro era bom de dança e como os passos dos dois se encaixavam, ao passo que Pedro aproveitava da situação para não só encaixar os passos como também seus corpos e seu papo, papo este que fluía naturalmente, dançaram umas três músicas até que Pedro a convidou para beberem alguma coisa para reporem as energias antes de voltarem a dançar.
-Quem disse que eu ainda quero dançar contigo? Disse Layla
- Ah, sei lá, senti uma química mutua e achei que isso poderia se perdurar por mais um tempo, não se deve interromper momentos bons.
- É... Você está certo, mas calma, calma garanhão, vamos tomar uma cerveja e depois vemos como fica isso
- Tudo bem senhora eu quem mando, como preferir.
Ela deu de ombros enquanto iam para o bar. Como era de se prever o papo fluiu naturalmente e Pedro resolveu preparar um mojito, para impressionar Layla que àquela altura já estava começando a se embriagar pelo efeito de várias cervejas em sequência. Foi até Lorena e perguntou onde encontraria limões e hortelã, Lorena disse que limões ele encontraria na cozinha, mas que ela não dispunha de hortelã; como ele não queria desapontar Layla disse que teria de ir até sua casa buscar hortelã.
- Minha casa é próxima, não demoro, me acompanha?
- Não acredito que seja assim tão difícil trazer esta hortelã assim, mas tudo bem posso fazer isso por você, mas não se acostume.
Enquanto se encaminhavam até sua casa Layla pediu para se apoiar em seus ombros para ajustar sua sandália, Pedro apenas assentiu e ela se apoiou, quando Layla parecia ter finalizado seus “ajustes” Pedro propositalmente jogou seu corpo para o lado de modo a desequilibrar Layla, quando a mesma tendeu a cair para o lado ele a apoiou e a beijou, Layla correspondeu o beijo meio que surpresa com a sequência dos atos, beijaram se mais algumas vezes até que Layla o indagou:
- Você fez de propósito né?
- Sim, fiz errado? Pois você pareceu gostar
- Não seja tão pretensioso, ah propósito a hortelã e toda aquela história de mojito foi apenas um pretexto, estou certa?
- Acho que sim.
Eles foram até sua casa que estava vazia pois seus pais haviam visitar uma tia, irmã de sua mãe. Chegando lá Pedro a convidou para subir à seu quarto.
- E a hortelã? Perguntou Layla.
Acho que não precisamos mais dela!


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Song of a Day

Human - Rag'n'Bone Man

Já tinha um tempo que eu não fazia um "Song of a day", recentemente descobri o cantor Rag'n'Bone Man, particularmente o último álbum dele é muito bom, e a música inicial é ótima e é a minha recomendação de hoje, a música Human.
Segue abaixo link do clipe oficial da música no canal do cantor no YouTube:

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Olheiro musical

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Uma dose de uma bebida amarga e a cadeira vazia ao meu lado era tudo o que eu tinha naquela noite. Um restaurante de música ao vivo e um cantor de bar atrasado era tudo o que eu tinha naquela noite. Pessoas em mesas ao meu redor com olhares depositados sobre o cara solitário que ocupava o meu corpo era tudo o que eu tinha até aquela noite.
Então sobre o palco surgiu um homem e um violão.
Este mesmo homem dedilhava o seu violão como se estivesse tocando a pele de uma bela mulher. O som que saia dos seus lábios me deprimia, parecia que ele era o homem mais infeliz da face da terra, e isso era encantador. 
Quando ele fechava os olhos eu podia sentir que ele viajava em suas próprias palavras que empregavam a morte como a melhor coisa que poderia acontecer-lhe naquele momento.
Continuei a beber e pensar do por que eu ainda tentava...
Então chegou o refrão, foi quando ele pegou os meus olhos e os segurou, da mesma forma que um beijo segura uma alma. Todos olhares a minha volta se desfizeram, era como se nada mais existisse, como se eu não existisse.
Um homem com voz de sereia.
Essa voz te leva para o fundo do mar, te afoga em devaneios e depois te leva a superfície, te devolvendo o ar. É a mesma sensação de querer voltar, mas de saber que estará morto se retornar. A voz daquele homem te faz querer reprise o tempo todo, mas é capaz de te cegar.
Eu podia jurar que estava apaixonado, poderia ouvi-lo por dias e dias, ele poderia ser a nova estrela da música, poderia ser quem ele quisesse com aquela voz.
A bebida já nem é tão amarga, não quanto a música pelo menos.
Sua testa parou de franzir-se, seus olhos se abriram, seus pés se aquietaram, ele sorriu e dos seus lábios parou de sair beleza em forma de música. Os olhares viraram aplausos, mas não o meu olhar, o meu volta a sentir o gosto amargo da bebida, o meu paga a conta e sai.
A noite está gélida e quieta. Alguns casais passam pelas ruas de mãos dadas e outros se sentam para um café em uma lanchonete típica.
Eu entro em um restaurante de lustres dourados e decoração quente, me sento no centro do mesmo e peço uma bebida amarga.
Uma dose de uma bebida amarga e a cadeira vazia ao meu lado era tudo o que eu tinha naquela noite. Um restaurante de música ao vivo e uma cantora negra de sorriso convidativo era tudo o que eu tinha naquela noite. Pessoas em mesas ao meu redor com olhares depositados sobre o cara solitário que ocupava o meu corpo era tudo o que eu tinha até aquela noite.
E  mais tarde eu pude jurar que estava apaixonado.

domingo, 6 de agosto de 2017

Ei, moça, não se esqueça que você é flor.

Olha só, a vida tá passando. É isso mesmo… Eu sei que não adianta falar todos aqueles clichês, talvez ele nunca se dê conta do quanto perdeu, essa é a mais dura realidade. Tem coisas, moça, que não são para ser, ou até são, mas em um outro momento, em outra ocasião.
Eu gostaria que você conseguisse enxergar a si mesma com meus olhos, eu vejo muito além do que esses olhos inchados e esse bafo de cerveja depois de um longa noite fingindo estar feliz e chorando sozinha no travesseiro. Mas amor-próprio é algo que se conquista com paciência, muitas noites mal dormidas e muita força de vontade.
Sei que é difícil, sei que tem momentos que a dor é tão grande que invade todo o nosso corpo, e parece que o peito vai explodir, parece que a vida não tem sentido, mas moça, a vida tem a cor que a gente pinta, e convenhamos… Já passou da hora de você tirar esse preto dai. Que tal colocar amarelo? A cor dos cachos do seu cabelo, a cor do sol, a cor da riqueza… E quando me refiro a riqueza, não estou falando de dinheiro, mas sim da riqueza de momentos especiais, da riqueza de pessoas que trás luz e paz para nossa alma, a riqueza que não tem valor, aquela que conquistamos dia após dia, a riqueza de estar com pessoas que vão te ajudar a levantar quando você cair, que vão lutar ao seu lado quando você estiver cansada, a riqueza de pessoas que não vão embora. Gente que permanece na dor e na alegria, gente que valha a pena, que valha a tentativa de seguir em frente. Gente que irradia beleza interior… e se você não gostar de amarelo, tudo bem! Que tal rosa? A cor das duas bochechas quando está tímida. A cor do amor… Só tira esse preto dai, porque ele definitivamente não combina com você.
Levante, se olhe no espelho e se ame. Ame a mulher forte que você é, ame o coração grandioso que você tem, ame e valorize a personalidade forte e verdadeira que exala de você, ame o seu sorriso de menina travessa, ame o seu olhar de mulher fatal, ame o fato de que quando você sorri seus olhos ficam tão pequenos que quase parecem sumir naquela imensidão de bochechas rosadas, ame a sua dor, mas não deixe que ela consuma você.
Moça, não deixe que sua dor se torne você!
Não deixe que ela apague toda essa luz que vem de você. Não deixe que ela seja tudo aquilo que as pessoas conseguem ver. Se orgulhe, de ser alguém nesse mundo de pessoas frias e robóticas, nesse mundo de relacionamentos superficiais, unilaterais e que sobrevivem através de likes, se orgulhe de ser alguém que consegue sentir. Se orgulhe de ser alguém que lamenta, se arrepende, faz bobeira por medo, faz bobeira por coragem, faz bobeira por fazer… se orgulhe por conseguir ouvir seu coração bater, ainda que acelerado, machucado, baqueado, detonado… Mas batendo e batendo. Se orgulhe de mesmo com o coração quebrado você conseguir mostrar e oferecer o melhor que você pode e consegue ser.
Talvez ele não volte. Talvez ele nunca mais volte. Talvez ele simplesmente siga, e você merece seguir também. Você merece alguém que te mereça. Alguém que te faça entender porque tudo deu errado agora, e que te faça agradecer por ter sido assim. Alguém que tenha o prazer de te conquistar todos os dias, sem preguiça, sem monotonia, sem rotina. E que não canse de te lembrar o quanto você é linda ainda que esteja parecendo um filhote de panda. Alguém que ouça suas reclamações e cale sua boca com beijos que te faça perder o fôlego. E que te beije. Que te beije muito. A vida é bem mais leve com beijos de presente. Alguém que te escute, e mesmo que não te entenda tente compreender seu lado. Alguém que só reclame de você quando você estiver longe dos braços e abraços que ele pode oferecer. Alguém que te acolha, que consiga desfazer sua cara amarrada, acabar com sua pose de durona, e que fique... Que fique ao seu lado mesmo quando você não estiver em um dia bom, que fique ao seu lado mesmo quando as coisas ficarem difíceis, que fique ao seu lado mesmo quando você não quiser que ele fique, que fique ao seu lado quando você achar que ninguém está, que fique ao seu lado e te ame mesmo quando você não merecer, e que te ensine que o amor é muito além das migalhas que você estava acostumada a receber. Alguém que talvez você ate já conheça, mas que precise de tempo para aprender que você é uma daquelas pessoas raras que a gente encontra na vida e que por ser tão preciosa merece ser cuidada e amada todos os dias, e quando ele se der conta disso, que ele apareça. Que ele te encontre, te reencontre. Invente, se reinvente. Te ame, reame e se sinta sortudo por estar com você.
Talvez ele demore… e enquanto isso, moça, siga aquele velho conselho: levante a cabeça e ofereça o seu melhor, faça da sua dor raiz e regue com amor que logo ela será flor e eu nem preciso dizer que você não nasceu para ser um mero galho, você nasceu para ser flor e flor é o que você é, mesmo que agora você só consiga enxergar galhos finos e espinhos.
E ah… Antes que eu me esqueça: “E que o verão no seu sorriso nunca acabe!”


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Fique Bem, Até Logo - Parte II

Após o término Pedro entendeu que precisava de um tempo para si próprio e ficou em casa, Netflix e livros eram seu entretenimento, foi assim por dois meses até que Carlos o chamou para uma festa na casa de um colega seu de faculdade, depois de tanta insistência de Carlos, Pedro acabou aceitando.
Chegando na festa era uma típica festa de faculdade, Pedro decidi tomar uma cerveja e quando vai até o bar encontra com Alana que estava voltando com dois copos de cerveja na mão, eles se cumprimentam e ele diz que estava indo ao bar, então ela lhe fala:
- Este outro copo é para minha amiga, mas fique com ele e vamos lá pra fora conversar um pouco, ela pega outro para ela.
Ele aceita e eles ficam conversando por horas como de costume, quando inesperadamente ela lhe pergunta porque ele simplesmente correu dela no outro dia, meio desconsertado ele explica que estava em uma situação complicada no namoro e que não achava justo mesmo mediante tais circunstancias trair sua namorada da época.
Alana então pergunta:
- Então agora você está solteiro?
- Sim, estou.
- Então penso eu que agora você não vai se esquivar.
Alana fala isso e o beija, e realmente dessa vez ele não se esquiva, Carlos que via tudo pela janela simplesmente não acredita em como sortudo é seu amigo de estar “ficando” com uma gata daquelas.
Eles ficam ali por um tempo e Alana o convida para sua casa, e apesar de desconsertado Pedro aceita o convite, chegando na casa de Alana ela simplesmente vira outra pessoa, o joga no sofá e começa a tirar a roupa de Pedro e a chupar seu pau, depois coloca seus seios fartos entre a boca de Pedro e pede que mame nela, demora um tempo para Pedro “pegar no tranco”, até que ele se entrega ao momento e começa pelos seios e vai descendo pela barriga até chegar na bucetinha de Alana, ela se contorce toda e só quando Pedro percebe que ela está toda molhadinha que ele mete forte e com vontade, e a cada gemido de Alana ele se sentia mais motivado a seguir em frente, e foi assim a noite toda, uma noite de sexo intenso e selvagem.
No outro dia acorda no sofá da sala com dores na coluna por ter dormido de mal jeito, percebe que Alana ainda estava dormindo e fica ali a admirando por alguns minutos até que ela acorda e eles resolvem ir até a padaria tomar café, ficaram ali relembrando da noite anterior e conversando por horas, até que Pedro disse que tinha que ir para casa pois neste domingo iriam almoçar na casa de sua avó e em sua família essas reuniões apesar de chatas são meio que sagradas.
Alana diz que tudo bem e pergunta:
- Eu te vejo hoje à noite?
- Sim, te ligo quando voltar da casa de vó e combinamos algo.
- Ok lindo, ficarei esperando.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Autor Freelancer


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Eu vendo os meus textos mais criativos. Os textos técnicos e todo o meu direito autoral. Eu vendo a minha criatividade e o meu tempo livre. 
Os meus pensamentos vez ou outra entre as minhas melhores ideias sussurram que sentem vergonha de mim. 
Eu recebo por isso, alta produção é alta quantia no meu extrato bancário.
Na verdade, você não estaria errado se por um acaso me dissesse que estou perdendo com isso. Estou dando a única coisa que tenho e que é real para mim. 
Acha que eu me importo com o dinheiro? Acha que me importo com algo que será substituído daqui alguns anos por apenas cartões de plásticos e transições bancárias? Acha que me importo com números? Acha que eu ligo mesmo para essa baboseira? Em que lugar estamos? Fazendinha feliz no orkut?
Tenho certeza que você acha muita coisa, mas não sabe de nada.
É para pessoas como você que eu vendo meus devaneios, para pessoas limitadas que se prendem ao que acham que é real. Nada disso é real, tudo que vê, tudo que toca é apenas objeto de venda.
Então eu não vendo o que amo para possuir o que odeio. 
Eu vendo os meus sonhos, para que com o dinheiro eu compre a minha liberdade.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Fique Bem, Até Logo - Parte I

Pedro estava muito chateado por mais um discussão com Bianca, era como se já soubesse que o namoro tinha chegado ao fim, mas quatro anos de namoro e tudo o que passaram juntos o fazia acreditar que valia a pena insistir mais um pouco, mesmo em meio a tantas brigas, mas essa o havia abalado mais que de costume, nem ouvindo Red Hot no último volume ele conseguia se sentir um pouco melhor (isso sempre funcionava para aliviar o aperto que sentia no peito).
Sentindo que precisava caminhar um pouco, desceu uma estação antes da habitual no metrô e enquanto ia caminhando desatento com sua música alta, uma garota toca em seus ombros meio tímida e se desculpando por incomoda-lo pergunta onde fica o bairro da Lapa, ele que não havia entendido tira os fones e pergunta o que a garota havia dito, desconcertara ela repete sua pergunta e ele diz:
- Eu moro lá, não fica longe muito daqui, onde exatamente está indo?
- Estou indo na rua da igreja na casa de uma amiga, sabe onde é?
- Sei sim, é um quarteirão depois da minha casa, me acompanhe que eu te mostro como chegar lá, a propósito me chamo Pedro.
- Alana, muito prazer!
Eles foram conversando e o papo fluía como se eles se conhecessem à anos, desde assuntos da faculdade até séries e filmes da Netflix. Foi então que Pedro se deu conta de como aquela garota de compridos cabelos loiros e olhos azuis era realmente encantadora e eu ele havia se esquecido dos problemas que lhe atordoavam, foi quando chegou no quarteirão de sua casa, mostrou a Alana onde ficava a igreja e se despediu. Parecia que havia voltado a realidade, com os mesmos problemas com Bianca, chegou em casa, tomou um banho e foi dormir.
No dia seguinte seguiu sua rotina normal, porém saindo do trabalho foi tomar umas com Carlos e falar um pouco dos problemas, saindo pegou o metrô e sem saber explicar exatamente o porquê acabou descendo novamente uma estação antes do habitual e para sua surpresa Alana estava a sua espera, Alana o cumprimentou e disse que o papo havia sido tão bom que resolveu repetir a dose, Pedro ficou surpreso mais também havia gostado do papo então deixou que Alana o acompanhasse, chegando no quarteirão de sua casa Alana o chamou para tomar um açaí, inicialmente Pedro pensou em recusar mas aqueles olhos azuis o impediam de dizer não e assim ele acabou aceitando.
A química que havia entre eles era enorme e eles ficaram ali conversando por horas, até que o dono do estabelecimento disse que precisava fechar e os pediu para que fossem embora, assim o fizeram e Pedro acompanhou Alana até a casa de sua amiga, na hora da despedida Alana quis beijar Pedro que esquivou e totalmente desconcertado foi embora sem dizer mais nada.
No outro dia acordou com uma ligação de Bianca, mas sem saber como agir e o que falar achou melhor ignorar e ligar para Carlos para lhe pedir conselhos. Eles foram almoçar juntos e conversar sobre, e antes que Pedro falasse Carlos lhe perguntou quem era a loira que estava com ele no açaí ontem?
Carlos estava passando e viu os dois no maior “love” e achou estranho pois até onde ele sabia Pedro ainda estava namorando com Bianca.
Pedro explicou o que havia acontecido, desde o metro até o açaí e que ela havia tentado beijar ele e que ele recuou e fugiu da menina sem saber o que fazer. Após alguns minutos de risos do amigo por ele correr de uma loira linda, Carlos perguntou a Pedro:
- Quem é a loira?
- É a Alana.
- Você entendeu minha pergunta Pedro, quem é a loira?
- No momento uma pergunta difícil de responder.
- Então resolva seus problemas com Bianca antes de entrar em outro relacionamento, até mesmo para não correr o risco de estar apenas confundindo frustração do relacionamento atual com um possível affair.
- Nem que eu quisesse eu não tenho contato da Alana, vou conversar com a Bianca, mas eu vou terminar, não para ficar com a Alana, e sim porque não quero prolongar algo que já passou do prazo de validade.
- Você sabe o que faz meu amigo, me conte como foram as coisas, mas agora preciso voltar ao trabalho e acredito que você também.
- Tenho alguns minutos, mas ok, a gente se fala a noite. Valeu man.
- Se cuida cara, pensa bem!
Saindo do serviço Pedro ligou para Bianca e disse que precisavam conversar, foi quando Bianca o surpreendeu com a seguinte frase:
- Pedro eu não sou criança, “precisamos conversar é a mesma coisa que quero terminar”, e se é para ser assim que seja por telefone, não quero ouvir isso de você assim na minha cara, prefiro por telefone que é menos doloroso.
- Bianca, não torne as coisas mais difíceis do que precisam ser....
- Pedro nosso namoro acabou a tempos, só você que não se deu conta, é melhor que seja assim do que prolongar em algo fracassado e acabarmos nos odiando no final, não quero ser grossa mas vou desligar, se cuida. Abraço
Pedro não entendia ao certo o que havia acontecido, mas parecia que mesmo com a chateação de um termino de namoro ele se sentia aliviado por ter feito a coisa mais acertada.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Assim é melhor... (desabafo de amor e aceitação)

E você não está mais aqui mesmo ainda estando, seus cabelos em meu rosto nos dias de vento, seus abraços nos dias de frio, seu sorriso sempre que possível...
Não posso mais ver um fusca azul que fico pensando que pode ser você, logo eu que antes batia no amigo mais próximo ao ver um destes agora me vejo perdido nas lembranças do que não fomos, você parecia tão decidida que me convenceu que assim seria melhor, não concordei, mas aceitei, a vida tem disto.
Na próxima esquina que eu lhe encontrar, a vida terá seguido, mas a dúvida permanecido, espero que possa ter sido assertiva em escolher por nos dois, pois se não foi o tempo passou, o nosso tempo passou e agora você é só saudade, pois nem nostalgia não mais poderás ser, pois o tempo passou e mesmo com a dúvida no peito sou melhor sem você, sem a incerteza que sempre nos pesou.
Oi, tudo bem? Vai com Deus, assim é melhor...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Monocromáticos

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"Querido,
Isso é ridículo eu sei, mas você e eu somos ridículos.
Eu não tenho noção de como dizer nesta carta tudo que quero dizer há tanto tempo, então me perdoe se soar ruim ou rude, egoísta ou coisa assim, eu apenas pela primeira vez não sei usar as palavras da forma certa.
Lembra como nos conhecemos? 
Se a resposta for negativa, deixe-me refrescar sua memória, no fim espero que cada palavra se encaixe em um sentido lógico.
Eu fui a uma festa com uns amigos, não estava exatamente em um bom dia, então me entreguei de corpo e alma  naquele bar.
Por mais que eu bebesse era incrível como eu nem ao menos ficava tonta, impressionante como o nosso corpo se acostuma com o álcool e não se acostuma com a solidão, o porquê de tanta solidão? Longa história.
Era nessa longa história que eu pensava enquanto passavam vários caras ao meu lado me propondo mais bebida, como se bebida fosse sinal de beijo na boca e sexo na certa, para todos eu disse "não", repetidamente naquela noite eu disse essa mesma palavra nos mais variados tons.
Depois de muitas tentativas de ficar alcoolizada sem sucesso, você se sentou ao meu lado e eu me lembro claramente de suas palavras "Onde pensa que vai com tanta bebida?", eu te olhei e repeti o meu "não", mas então quando me virei para o bartender eu reparei que o meu "não" havia sido jogado fora, direto para a boca de lixo, afinal ele não fez o mínimo sentido.
Olhei para você e vi as luzes roxas, vermelhas, verdes e azuis colorirem o seu rosto rosado, seus olhos castanhos me encaravam como se quisesse encontrar algo em mim, algo que nem eu sabia onde estava, reparei no seu piercing de argola perfeitamente posicionado no seu nariz, e não pude deixar de reparar nos seus lábios entre abertos, meus olhos desceram então para as tatuagens que rodeavam o seu pescoço, sendo uma mais misteriosa que a outra, não pude ver onde acabavam por conta da roupa, mas depois da jaqueta de couro preto eu pude ver nos seus pulsos um pouco mais delas.
"Pretendo ir arrastada para casa" eu disse num tom seco, levantei o copo para mais uma e você mandou o bartender voltar. Aquela dose poderia de fato ter me levado a loucura, mas isso eu nunca saberei, nunca tive a oportunidade de saber qual era o seu gosto, pois nunca deixou eu bebe-la.
Perguntou sobre o porquê de eu não querer estar com os meus amigos e do motivo pelo qual eu estava me procurando no fundo de uma garrafa vazia, mas nem eu sabia.
"Tudo bem, eu sempre me procuro no fundo de uma caixa de cigarros" confessou, e então depois disso eu comecei a me procurar lá também.
Foi assim, assim que você me fez sua amiga, dois estranhos se procurando em locais que claramente nunca estaríamos, foi exatamente assim que nos afundamos em álcool e cigarros, descemos ao inferno juntos, nós vivíamos cambaleando pela calçada, rindo de um tropeço, e quando finalmente decidíamos fumar o ultimo cigarro nos lembrávamos de como nos sentíamos sozinhos, apesar de termos um ao outro.
Estas coisas aconteceram até o momento em que percebemos que não precisávamos de nada além de nós mesmos, então nos reerguemos, ainda sim juntos.
Eu senti varias vezes que você quis desistir, quis viver em um mundo de tortura, mas você sabia que se desistisse eu desistia, que se caísse o tombo doeria em mim, então as vezes acredito que parte da nossa felicidade foi criada por que pensou na sua amiga aqui.
Desta maneira você me deu a mão pela primeira e segunda vez. Na primeira você me derrubou, mas com você, nunca mais estive sozinha, e na segunda me levantou e eu continuava acompanhada.
Fomos com certeza a dupla de amigos mais sincera que perambulou por todas aquelas ruas paulistas, saímos, bebíamos socialmente, assim como fumávamos, mas era diferente, não era mais uma vida cheia de álcool e nicotina, era uma vida cheia de álcool, nicotina e principalmente felicidade.
Eu costumava te ajudar com as garotas e você me ajudava com os homens, quando nos cansávamos deles então nos achávamos e passávamos o resto da noite juntos, dançando um com outro, contando coisas e pegando um táxi, até que eu dormia em seu ombro e acordava na minha cama, sem você.
Você me contou a história de cada uma de suas tatuagens, e elas tem mais histórias do que eu poderia imaginar, um mundo de segredos estampado em sua pele, você passou para mim um mundo preto e branco, apesar de você fisicamente ser tão colorido, sua alma era monocromática, e em qualquer outro homem eu acharia isso ruim, mas em você não, o preto e branco nunca combinou tanto com alguém como combinou com você.
Confesso que desejei estar nesse mundo muitas vezes.
A esta altura do campeonato se passaram quase dois anos, você começou a namorar uma garota tão como você, e eu um cara tão como alguém por ai que se encaixe perfeitamente com ele, mesmo assim saíamos, e quando a sua garota se cansava e eu cansava do meu garoto nos encontrávamos e dançávamos juntos.
Durou pouco esse ritmo, nada mais era como antes, eu não te contava os meus segredos e você também não compartilhava os seus comigo, eu deixei de usar a sua jaqueta na volta das festas e nunca mais dormi no seu ombro, assim como nunca mais fiquei surpresa por acordar sem você, querido amigo, a gente se afastou com o tempo, e é claro que eu imaginava que isso iria acontecer.
Foi quando decidi fazer então a minha primeira tatuagem colorida, para uma alma que desejava ser preta e branca, um lobo azul, motivo? Segredo.
Demorei para achar o desenho perfeito, e quando achei eu fui direto a um tatuador, no caminho você me ligou com um papinho de "Oi, tudo bem? E ai? Quanto tempo!", eu disse que estava indo ao tatuador, e quando eu entrei no estúdio você já estava lá e segurou a minha mão pela terceira vez.
E como descrever aquilo? 
Você ergueu a cabeça e me olhava pelo canto dos olhos, segurava a minha mão como se tivesse estado lá o tempo todo, como se fosse incapaz de me deixar, eu tremia, mas tenho certeza que não era dor, era por que há muito tempo você não esteve tão próximo. Quando fechei meus olhos não foi por causa da tatuagem, foi para tentar eternizar a sua mão na minha, para sentir o meu coração bater mais forte, foi para desejar que você também quisesse o mesmo, mas não poderia ignorar o fato de que ambos éramos comprometidos, ambos éramos amigos e que eu não deveria estar pensando nada daquilo. Virei o meu rosto para onde você não estava e soltei a minha mão da sua, disse que estava bem, é claro que menti.
Acontece que seu rosto preto e branco não saia da minha mente, meu namoro foi por água abaixo, e eu acho que você esteve tão preocupado com a sua amiga de coração partido que o seu não teve um final diferente.
Éramos novamente aqueles dois que se procuravam em locais que nunca estaríamos.
Você nunca me perguntou o porquê de um lobo, cada tatuagem tem o seu segredo, e aqui esta a resposta para a pergunta que você nunca fez, lobos podem viver em locais inabitáveis, perigosos, e este local para mim é dentro de nós mesmos, quando estamos tão sozinhos que até nós nos tornamos fantasmas, incapacitados de fazer algo para nos salvar, eu era um lobo em uma terra perigosa.
Assim que eu me sinto tão sem você, quer dizer, nunca mais foi embora, mas nunca mais esteve com a mão na minha, talvez quando ambos os relacionamentos tiveram seu fim você tenha pensado em me dar a mão e quem sabe um abraço, ao invés disso me deu um cigarro, eu senti paz por estar fumando ao seu lado, brincamos com a fumaça, e nos preenchemos com o vazio um do outro, temporariamente, pois quando amanheceu partimos.
Será que me culpava pelo seu desastre no relacionamento e por isso não foi mais o mesmo?
Quer dizer, você tem seus picos de alegria, mas sorrisos bonitos nem sempre são reais.
Claro super clichê eu me apaixonar pelo meu melhor amigo, pelo cara que sempre esteve lá, e talvez seja por isso que te amo tanto, você esteve lá, seja com um cigarro ou com as mãos nas minhas.
Se nunca sentiu o que senti com as mãos dadas, então talvez nunca tenha sentido nem ao menos a força da nossa amizade.
Eu sinto muito se eu confundi as coisas, e admito que estou muito confusa, mas algo em mim queria que fossemos confusos juntos, e se você ler isso e bem, não se identificar, ou então não sentir o mesmo, ignore, esta carta não é para você.

Ass.: Uma amiga."

Peguei a carta que havia acabado de escrever, dobrei e guardei no bolso.
Ele deveria estar para chegar, quando chegou eu abri a porta e você vestido de preto com um cigarro na boca me ergueu em um abraço e disse que tinha novidades, me colocou no chão e me ajudou a arrumar a minha roupa.
"Uma nova garota" disse, ele acreditava que ela era a certa, pois assim como ele era tatuada, com cigarros contínuos, piercing, com um sorriso falso e o principal, tão preta e branca quanto ele. Ele disse muito mais, porém eu só via a boca dele abrir e fechar, e só podia ouvir o meu coração desejar sessar cada batimento, parar de bombear sangue e parar de bombear vida.
A sensação de todas as vezes que o laço de nossas mãos foram desfeitos voltou, como se as borboletas na barriga saíssem pela boca, como se o coração fosse esmagado e eu sorri assim como ele sorriu para mim por meses, de maneira falsa, quando pensei que eu não aguentaria a dor e choraria ali mesmo eu disse que iria pegar uma blusa, afinal a dele esquentaria outra pessoa a partir de agora.
Virei as costas e fui até meu quarto, respirei fundo e peguei a jaqueta, fiquei tão perdida que até me esqueci da carta, deveria tê-la escondido, mas nem lembrava que ela estava no meu bolso.
Pensei em dezenas de milhares de desculpas para não sair com ele, pois todos momentos que viveria naquela noite seria com o sentimento de despedida, mas ao invés disso, com o que talvez fosse quinze ou vinte minutos voltei para a porta.
Ele estava me olhando como da primeira vez no bar, junto com o dia que eu me tatuei e misturado com o vazio do olhar após o termino.
"Pronto", provavelmente eu tinha a voz fraca, e quando fechei a porta e me virei novamente para ele, não tive tempo para pensar e nem para olhá-lo, seus lábios foram de encontro aos meus, de inicio como um susto, de forma brusca, me segurando pelo rosto com as duas mãos, senti uma folha encostar no meu rosto e por um segundinho abri o olho para ver o que era, era a carta, que provavelmente teria caído do meu bolso.
O beijo foi ficando leve e eu podia sentir tudo que senti por anos voltar em um beijo, meu coração quase não cabia no peito e minha respiração estava incontrolável, quando seus dedos me tocavam, a minha pele adormecia e o meu lobo finalmente poderia descansar.
Ele me soltou, olhou-me nos olhos e sorriu como eu nunca vi, talvez eu tenha visto um pouco de cor  escapar naquele beijo e se não vi em seu beijo vi em suas palavras:
"A garota que eu disse, eu acreditava ser a certa, você eu sempre tive certeza".

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A história de João e Julia parte VI (Final)

Um dia depois de todo o ocorrido no shopping ainda sem saber descrever o que sentia, João chegou do estágio e enquanto ouvia Kansas e se arrumava pra ir pra faculdade pensava o que seria de sua amizade ou algo mais com Julia, quando toca seu celular, para sua surpresa era Julia quem ligava, naquele misto de alegria e ansiedade achou melhor não atender, pois não sabia o que falar, todos seus passos foram planejados até sua declaração e a partir de então tudo era novo e desconhecido. 
Do outro lado da linha Julia ficou confuso sem saber se havia magoado João com sua repentina e inesperada saída do shopping ou se ele simplesmente não estava próximo ao aparelho, foi quando pensou em mandar um WhatsApp mais tarde para não parecer tão ansiosa e insistente. 
João que estava com uns colegas de faculdade em uma lanchonete, ficou meio sem reação ao ver a mensagem de Julia que o convidava para saírem pra conversar, pois as coisas tinham ficado meio que tumultuadas no último encontro, João aceitou e combinaram no sábado na mesma praça de alimentação do mesmo shopping. João decidiu que aquele era o momento, então resolveu ser direto e pedir Julia em namoro, já havia se declarado e o fato de depois da declaração ela propor um encontro pra conversar deve significar alguma coisa, e esse pensamento o motivou para a conversa do dia seguinte. 
Quando João chegou já avistou Julia que parecia meio desconcertada ao vê-lo, foi então que sentou e sentiu se anestesiado por alguns instantes, até que Julia lhe perguntou: 
É serio tudo aquilo que você me disse na quarta? 
Sim é, apesar que pensando bem Drive My Car não é a melhor escolha de música para se ouvir enquanto passeia no parque com sua namorada, mas isso é um detalhe que podemos resolver com o tempo, afinal de contas você sempre teve melhor gosto musical que eu. 
Você está me pedindo em namoro João? Nossa! Não sei o que dizer, mais uma vez você me pegou desprevenida. 
Tudo bem já imaginava isso, mas não quer dizer que de momentos inesperados não possam sair coisas boas certo? E também não precisamos ser tão apressados, mas o que acha de sairmos desse barulho e irmos dar uma volta na praça aqui em frente? 
Julia deu um sorriso de canto de boca e aceitou o convite meio desconcertada, ao chegarem na praça, João pegou seu celular e fone de ouvidos, colocou uma playlist já definida, deu um lado do fone a Julia, segurou sua mão e começaram a caminhar despretensiosamente, ela parecia meio sem saber o que fazer mas demonstrava gostar, quando João parou de caminhar, olhou no fundo de seus olhos e disse: 
Viu como não é tão ruim assim? A encarou por alguns segundos e a beijou. 
Naquele momento foi como se o tempo parasse, ele não sabia descrever a inebriante alegria que sentia, mas ao ver o sorriso de Julia sabia que era reciproco, foi quando Julia lhe disse que realmente os momentos inesperados revelam surpresas maravilhosas. 
E a sinceridade dos sorrisos e a reciprocidade dos beijos é tudo que importava a ambos naquele momento. Daí por diante será um mistério que ambos terão de descobrir juntos.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A história de João e Julia parte V

Julia saiu do shopping confusa e sem rumo, tudo que ela sempre quis ouvir de Paulo ela ouviu da boca de quem ela menos imaginava ouvir, e apesar de João tê-la emocionado com o encanto e sinceridade de suas palavras ela não sabia mais como proceder perante aquela situação, ouvir seu amigo ao qual ela buscava conselho amoroso se declarar foi mais do que ela podia processar naquele momento, mas pelo menos Julia saiu dali com uma certeza, de que mediante tantas dúvidas ela não poderia mais cogitar voltar com Paulo, ficou claro que seu relacionamento com ele era passado, já seu futuro amoroso era um imenso ponto de interrogação ao qual ela não tinha a menor ideia de como iria se desenrolar. 
Julia tinha medo de confundir os bons momentos de amizade com João em uma possível paixão, pois era inegável a química que tinham e foi ai que sem saber ela começou a ter sua mente assolada pelas mesmas dúvidas que João tivera anteriormente, mas Julia era diferente de João e saberia que jamais conseguiria seguir com essas dúvidas, tudo isso era demais pra ela foi quando ligou para Brenda sua amiga mais próxima e disse que tinha novidades pra contar e precisavam se ver ainda hoje, pegou sua moto e foi na casa de sua amiga, chegando lá elas decidiram ir no MC Donalds enquanto Brenda toda ansiosa perguntou quase que certa se ela tinha reatado com Paulo, e ficou também surpresa quando soube da declaração de João. 
Brenda disse que tinha uma grande simpatia por Paulo, mas que João era um charme com aqueles olhos verdes e aquele olhar tímido e difícil resistir a uma declaração tão linda como aquela que Julia lhe descrevera. 
Você merece alguém que te valorize e que realmente queira estar ao seu lado, porque não dar uma chance? 
Naquele momento parecia que Brenda havia lhe dito tudo que ela pensava e queria ouvir mas tinha medo de decidir sozinha e meio que sentia necessidade de uma validação externa, mas após as palavras da amiga decidiu que iria procurar João até mesmo para se desculpar pela forma repentina como o deixou no shopping e ver o rumo que a coisas tomariam depois de 24 horas tão intensas.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Mariposas

Gosto de imaginar os meus pais como grandes mariposas, que nos dão a chance de viver e um dia nos deixam sozinhos na esperança de que sobreviveremos.
Posso dizer que somos uma pequena larva que adquiri conhecimento exagerado, e estes tem a função de fazer de nós grandes e incríveis.
Tenhamos então a nossa volta, acima de nós e abaixo de nós uma bela folha verde, regada com boa água, para que assim possamos nos alimentar e crescer, desejo que nenhum de nós encontremos veneno, que nenhum de nós seja amaldiçoado, desejo que todos sejamos um dia seres evoluídos.
Me perdoe se enfatizei este pequeno animal, que a muitos desagrada, mas ele é um dos mais sábios exemplos da evolução e do tempo, pois se tudo der certo, um dia, um grande dia estará por vim.
Este tempo de gloria tardará a chegar, mas quando chegar, a luta terá valido a pena, o medo de errar terá ido embora, pois nem ao menos o medo te segurou, e se tudo der certo você vai bater as asas e vai sentir o vento, vai sentir uma emoção indescritível, você vai pensar do por que de aquele momento ter demorado tanto, vai se sentir único.
E quando tiver passado um curto pedaço de tempo, você repousará e tudo terá chegado ao fim. O motivo que te levará o fim é uma variante incalculável, seja pela emoção, por um pequeno erro ou até mesmo pelo tempo.
Assim é a vida, lutamos a vida toda por um sonho, quando ele se realiza é lendário e dependendo do tempo necessário dura pouco, é um ponto em toda uma linha do tempo. Assim é com a mariposa, vive para que um dia bata as asas, e quando bate ela sabe que aqueles são os seus últimos momentos.
E apesar de morrer, valeu a pena ela ter batido as asas.
Sonhos levam tempo, dedicação, escolhas difíceis, nos levam a caminhos obscuros e perigosos, se tivermos a bênção de realizá-los e bater as asas, apesar de ter demorado tanto e ter vivido aquilo por um curto pedaço de tempo, valeu a pena ter vivido.
Mas se você for um encostado, medroso, ou qualquer coisa que te deixe em completa inércia, nunca sentirá o prazer de ter feito a diferença.
Seja uma mariposa.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A história de João e Julia parte IV

Nunca na vida de João um dia tinha demorado tanto para passar, e parecia que a cada segundo sua ansiedade só aumentava, mas também ele via que essa ansiedade dividia espaço com a esperança de ser correspondido, e isso parecia o reconfortar de certa forma, algo que chega a ser ilógico uma vez que ele pensa ser reconfortado por um sentimento que nem sabe se será ou não correspondido, mas assim estava João, antepondo possíveis situações do futuro e perdido neste misto de sentimentos e incertezas. 
João chegou à praça de alimentação do shopping com 20 minutos de antecedência, e resolveu ir à livraria olhar alguns títulos pra matar o tempo, aquele ambiente lhe era muito agradável e foi quando se perdeu em meio aos livros, admirando capas e lendo orelhas que foi surpreendido com Julia que gritou um Ei no meio da livraria que fez todos olharem para ambos e deixa-lo bastante desconcertado e surpreso, aproximou-se dele o abraçou forte, deu um beijo no rosto e disse que tinha uma novidade ótima para lhe contar e foi quando ele percebeu que sua empolgação não era por tê-lo visto depois de mais de seis meses e sim pela novidade que anunciara contar a seguir. 
Sentados na praça de alimentação João sentia suas mãos suarem enquanto se perdia no lindo sorriso de Julia, e foi quando se deu conta de que toda a sua ansiedade não tinha tanta importância, pois a presença de Julia fazia tudo parecer mais fácil do que ele idealizou em sua mente nas ultimas 24 horas. 
Em meio a todas essas sensações Julia lhe conta que Paulo a procurou pra voltar e que ela estava dividida e sabia que com certeza João iria saber lhe aconselhar, foi quando o mundo de João caiu, pois ele até estava preparado para um não, mas aquilo lhe frustrou de modo que não sabia o que falar, pois na sua mente o melhor conselho que podia dar era que esquecesse o Paulo e ficasse com ele, mas percebeu que estava sendo novamente afoito e concluiu que devia pelo menos manter o crédito de ser um bom conselheiro, porém por outro lado era como se as palavras não saíssem, João havia esperado tempo demais por aquela oportunidade pra que não tivesse ao menos a chance de declarar seus sentimentos, por mais de 24 horas ele viveu a experiência da esperança e o beneficio da dúvida lhe fez sentir merecedor do risco e foi quando disse que ele não poderia ajudar Julia com essa decisão e pediu desculpas por tornar aquele momento embaraçoso, mas não aguentava mais guardar aquilo em seu peito. 
Julia eu estou atraído por você, não sei como descrever, foi algo que aconteceu naturalmente com o nosso convívio do dia a dia, as conversas, os gostos, o quão me é prazeroso desfrutar de sua companhia, perco a noção de tempo e espaço com você, contigo tudo é simples, com você posso ser eu mesmo sem precisar me importar com os outros e sinto que não posso mais guardar isso pra mim, preciso compartilhar contigo, dizer que jamais quero que nossa amizade se acabe, entretanto o que sinto por você vai além ,quero ser mais que seu amigo, quero poder te abraçar, te beijar e acariciar seus cabelos, andar sem rumo na praça de mãos dadas compartilhando o mesmo fone de ouvidos enquanto ouvimos Drive my car dos Beatles ou qualquer outra musica que tenhamos descoberto no Spotify, desculpe por te dizer tudo isso assim tão de repente mas eu precisava compartilhar isso com você. 
Julia ficou atônita por alguns segundos, com os olhos cheios de lágrimas foi quando finalmente disse que também não sabia o que dizer pois nunca imaginou que ele tinha tais sentimentos e que ele acabava de fazer a declaração mais linda que ela havia ouvido e que ela sempre esperou ouvir isso de Paulo e que precisava ir pra casa pois aquilo era mais do que ela conseguiria processar, levantou e foi embora meio atordoada e surpresa com o que acabara de ouvir. 
João a ficou olhando meio confuso por medo de ter estragado tudo ou finalmente dado o primeiro passo para viver seus sentimentos, tudo era incerto, mas ainda era bom sentir se aliviado por ter compartilhado seus sentimentos com Julia, mesmo que o que viria a seguir era totalmente novo e desconhecido.

domingo, 25 de junho de 2017

Se eu não estiver mais aqui

Se em algum momento a gente se perder, seja por culpa do mundo ou por culpa minha (já que tenho mania de afastar as pessoas que amo de mim), se você olhar para o lado e não me encontrar, se rolar na cama e não sentir meu cheiro... Feche os olhos, respire fundo, e lembre-se desse momento, o momento em que te fiz infinito na minha vida e no meu coração. O momento em que meu corpo se encaixou perfeitamente ao seu, como um ímã que me atraía constantemente para junto de você.
Lembre-se desse meu olhar, apaixonado e bobo. O olhar de alguém que imaginou uma vida de momentos iguais a esse ao seu lado, o olhar de quem estava completamente apaixonada desde o momento que coloquei os olhos em você no bar naquela quarta-feira.
E aí, se neste momento você sorrir, lembre- se das tantas vezes em que sorri para você e junto com você, e das piadas sem graça que eu te contava enquanto estávamos pendurados ao telefone, e das gargalhadas altas que eu dava das suas histórias engraçadas da puberdade.
Mas sobretudo, amor, me prometa que nunca se esquecerá de nós. Lembre-se, que seja por um minuto, por um momento ou por uma vida. E se a saudade bater, saiba que você ainda é infinito em mim.
Uma vez você me disse que a vida é feita de pequenos momentos importantes. E se a vida é um turbilhão destes momentos, que eu creio que realmente seja, eu espero que você saiba que eu vou estar arrependida, onde quer que eu esteja, se eu não aproveitar ao máximo esse presente que a vida está nos dando agora, o presente de estarmos juntos.
Encosta sua cabeça aqui, me conte outra história, sorria e durma, nunca se esqueça que eu vou estar aqui, mesmo quando eu não estiver, eu vou estar.