quarta-feira, 18 de outubro de 2017

É que...

É que ela acordou e seu primeiro pensamento foi aquele ato babaca de um ser idealizado. É que ela se questiona sobre o motivo de ainda estar viva. Digo que é porque ela sente nojo de si, quando deveria sentir nojo de outro. Afirmo que é porque ela acha que é o fim, quando é apenas um recomeço. Grito, de forma irritante, “é que ela não sabe de nada”.
É que ela acha que não se encaixa mais aqui, não aqui, mas aqui, ali e acolá. Ela acha que ninguém serve, ninguém presta, ninguém é confiável. Ela crê que a vida já passou. Ela acostuma-se a caminhar de mãos dadas com a morte, amanhã ela então lhe dará a outra, no dia seguinte o pé esquerdo e depois o direito, até que chega o dia do seu coração, e quem saiba nem na morte ela confie. Sempre desconfie.
Ela acha muita coisa, mas achar não torna nada um fato.
É que ela não sabe que haverá tempos piores. É que ela não sabe que a terra da garoa já não pode mais abriga-lá. Ela não percebe que a cidade de impérios caídos já não tem o mesmo gingado, e ela nem imagina que está no lugar errado.
É que amanhã ela será ateia e depois cristã, um dia será deísta e depois nem eu sei. Ela vai sair da faculdade e escrever belos textos, é que ela vai ser lida. Ela vai voar.
É que ela vai encontrar seu lar em um doce carioca. Ela vai amar o seu jeito engraçado de falar, aquele "x" no meio dos "s". É que ele vai lhe dar amor e confiança. E pela primeira vez ela vai conhecer a pureza da alma, o encanto da magia e o mel da infância.
É que ela nem acha e nem acredita que essa cara exista, mas ele está lá, em uma janela enferrujada olhando o Cristo Redentor, fazendo suas rimas de quebrada e apaixonadas, sonhando com o dia em que viverá de sonhos, e tendo a certeza mais do que correta de que será real. Te digo muito mais, é que ele também acha muitas coisas, mas ele acha que suas rimas preciosas já tem uma dona e ela acordou hoje pensando naquele ato babaca de um ser idealizado.
Eu sei e entendo que o tempo pode até nao curar nada, mas te faz esquecer muita coisa.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Murilo


Murilo era um rapaz de 25 anos, que tinha uma vida normal, trabalhava em um escritório de contabilidade, tinha uma namorada que conheceu em uma balada, fazia faculdade de economia, morava na casa dos pais, enfim.
Com o passar dos tempos Murilo foi adquirindo atribuições no serviço e com elas agradando seu chefe, em pouco tempo Murilo era chefe de departamento, estava no último ano da faculdade, e parecia ter sua vida bem encaminhada, propôs casamento a sua namorada que aceitou sem pestanejar.
Conciliar as atividades de conclusão de curso mais os preparativos do casamento não era fácil, mas ele se sentia realizado, tinha um bom emprego, formando o curso que sempre almejou e ainda casando com a mulher por que foi apaixonado desde os tempos de colégio.
Agora economista, casado, Murilo resolveu empreender e montar sua empresa de consultoria econômica, empresa essa que prosperou em curto tempo e rendeu estabilidade financeira ao mesmo, Murilo se sentia quase um “Rei Midas”, pois tudo que tocava virava ouro, ele obtinha prosperidade em tudo que se propunha a fazer, até que... Começou a se sentir vazio, pois de alguma forma faltava algo, e ele que sempre teve tudo que sempre quis, não tinha mais objetivos, não tinham metas, percebeu que sua esposa tinha se tornado uma mulher acomodada, em função da vida que tinham e isso lhe agradava menos ainda.
O castelo de sonhos perfeitos de Murilo se desfez devido sua perfeição, ele se via sufocado em sua vida perfeita e não conseguia mais ser feliz, Murilo sempre foi muito determinado e sem motivação ele era um homem vazio.
Murilo percebia que faltava algo, foi quando se deu conta que seu casamento “quase” que perfeito faltava um filho, logo Murilo que sempre teve na cabeça que casamento tinha que ter filho, porém com as atribuições da empresa e estruturação de sua empresa não sabia se aquela era a hora, mas agora não restava mais dúvida, conversou com sua esposa que ficou extremamente empolgada com a ideia, entretanto o tempo foi passando e Jéssica não engravidava mês após mês a frustração vinha assolando aquele casal, casal este que resolveu então procurar ajuda médica, foi quando descobriu que Murilo não podia ser pai, aquilo pra ele foi um choque, foi então que aos poucos viu seu casamento ruindo, pois ele não era a favor de adoção, pois sabia o quão complicado era o processo, e o fato de adotar uma criança já maior, aquilo não lhe era interessante, ele queria uma criança sua desde o inicio, participar de todas as fases, seu casamento parecia meio que sem sentido, não tinha filhos, e depois de inúmeras conversas e discussões eles decidiram terminar o casamento, sem brigas, só mesmo por que parecia que o mesmo tinha perdido uma de suas características funcionais.
Agora solteiro Murilo sentia um vazio, porém não dava pra continuar o casamento, sorte sua ter vários amigos, amigos estes os quais não o deixaram sozinho neste momento difícil, o tempo foi passando, a dor ainda existia, mas agora era mais suportável, e foi assim que Murilo aprendeu da vida que nem tudo é como se almeja, mas a vida tem sua forma de nos dar algumas lições, mesmo que a sequela, ou as sequelas desses aprendizados se perdurem por toda a vida.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

BRUNO TE DEVO UMA GAROTA

Ocorrida em 2009

PREFÁCIO

Bruno é realmente um bom amigo e eu acabei metendo ele em uma roubada por ser tolo e estar de pau duro querendo comer alguém, eu tinha uma porrada de contato de periguetes e vagabundas que eu conseguia em bate papo e comunidades do extinto Orkut, uma vez conversando com um desses contatos a menina me chamou para ir em sua casa, nessa história em particular eu não vou trocar o nome dela, pois ela já havia feito isso como vocês irão entender no decorrer da história, isso era umas 23:00 de uma quinta feira, mas como na época eu não estava trabalhando e nem tinha nenhum “freela” pra fazer eu peguei um ônibus pra casa da menina, que segundo seu endereço era longe da porra, as um garoto de 19 anos é burro e faz tudo atrás de uma boceta, aí já viu, é merda garantida.
Cheguei na porra da rua que Amanda disse morar e simplesmente não existia o número que ela falou, e como eu disse tudo isso se passou em 2009 e não se tinha WhatsApp ou nada do tipo, tentei ligar para ela e dava desligado, perguntei uns rapazes que estavam na rua que disseram não conhecer nenhuma Amanda, foi quando me cansei peguei um moto-táxi (não tinha mais ônibus disponível pois já passava de 0:00) puto de raiva cheguei em casa e fui dormir.

DOMINGO PACATO...

Domingo a tarde e seu característico marasmo e eu conversando com algumas garotas na esperança de salvar ao menos um encontro quando Amanda fica online, chamo ela e pergunto o que rolou que eu fui naquela distância toda e nem havia o número que ela tinha me passado, ela me fala que se eu me confundi e que não era 25 e sim 22 o número correto, pede para que eu vá agora que ela estava com uma amiga, e me pede que leve um amigo também, eu confirmo e ligo pra Bruno que estava estudando para um trabalho da faculdade, ele me pergunta se realmente as meninas são safadas e gostosas pois o trabalho era importante, eu simplesmente confirmo sem nunca ter visto a amiga e conhecer Amanda apenas por foto, pobre Bruno confia em mim e vamos encontrar com as garotas. No caminho eu conto do ocorrido anteriormente e ele já começa me xingar e me chamar de burro e que provavelmente isso era uma fria, mas já estávamos a caminho e só o que nos resta é torcer para não ser mais uma roubada, chegamos lá e Bruno estava certo, o número não existe, sou obrigado a ouvir Bruno me enchendo o saco pois eu realmente fiz cagada desta vez, ele sugere irmos a uma lan house tentar falar com a puta da Amanda, ela estava offline claro, é quando me deu conta que foi um tolo punheteiro e que provavelmente Amanda era na verdade Armando um cara de 35 anos que só queria tirar uma onda com minha cara, apago o contato, falo com Bruno pra irmos embora peço e desculpas e lhe digo que estou lhe devendo uma mulher, e que pagarei o mais breve possível.


PÓS HISTÓRIA

Quase um ano depois estávamos em um show sertanejo quando eu vi uma morena muito gata, daquelas de parar o trânsito, resolvo falar com Bruno e falo com ele: Mano olha que mulher BONI... quando eu falo o TA ele já estava conversando com a garota, depois de um tempo volta com o telefone da menina, marcaram de sair e começaram a namorar depois de um tempo, logo quito minha dívida pois fui eu quem viu a garota e logo os créditos também são meus.

Escritor Misterioso

domingo, 8 de outubro de 2017

Mais uma manhã para refletir...


Dia nublado Camille acorda parecendo pairar sobre seus pensamentos, como se algo a impedisse de tocar o chão, quando ela olha pro rádio relógio sobre a penteadeira e vê que ainda são cinco horas da manhã. Meu Deus! Não consigo dormir acho que esse vazio no meu peito está me fazendo mais mal do que pensei, essa sensação de que falta algo, num misto de arrependimento com frustração, algo que Camille não gosta de sentir e nem consegue explicar, mas que ultimamente tem sido seu melhor companheiro, me atreveria a dizer seu único companheiro.
Logo Camille que sempre teve medo do futuro, de ficar sozinha, e preferia o Goku ao Vegeta justamente por não gostar de solidão, agora se vê triste e melancólica as cinco da manhã de quinta feira, e pensa que a vida em mais um de seus sarcásticos paradoxos resolveu lhe brindar com a coleção de seus medos a título de brincadeira sem noção, e se não bastasse todas as ironias, hoje é doze de outubro e nem o Facebook tem recordações suas para compartilhar.

domingo, 1 de outubro de 2017

Achados e perdidos


E são nos breves e simples momentos que percebemos o quanto o amor se faz presente, desde um simples entrelaçar de mãos ou um sorriso bobo por ter você ao meu lado em um dia nublado que a ameaça de chuva me faz deseja-la ainda mais para que um banho seu ao meio da rua cantando Maggie May do Rod Stewart em inglês embromation seja computado a mais uma das lembranças e histórias que tenho ao seu lado que só ecoam em minha mente o que eu já sei a muito tempo, que jamais eu conseguiria alguém que me completasse e que fosse tão louca a ponto de entender e gostar de minhas loucuras.
Se a chuva irá cair ainda é uma dúvida, mas quem se preocupa com ela quando sempre terei você ao meu lado e isso é suficiente pra que eu possa ser o que consigo ser melhor, um louco e perdido apaixonado que não pode mais ser chamado de perdido pois se encontrou, ou melhor encontrou sua metade, aquele que ele nem procurava e que agora promete nunca perder.