quinta-feira, 20 de julho de 2017

Assim é melhor... (desabafo de amor e aceitação)

E você não está mais aqui mesmo ainda estando, seus cabelos em meu rosto nos dias de vento, seus abraços nos dias de frio, seu sorriso sempre que possível...
Não posso mais ver um fusca azul que fico pensando que pode ser você, logo eu que antes batia no amigo mais próximo ao ver um destes agora me vejo perdido nas lembranças do que não fomos, você parecia tão decidida que me convenceu que assim seria melhor, não concordei, mas aceitei, a vida tem disto.
Na próxima esquina que eu lhe encontrar, a vida terá seguido, mas a dúvida permanecido, espero que possa ter sido assertiva em escolher por nos dois, pois se não foi o tempo passou, o nosso tempo passou e agora você é só saudade, pois nem nostalgia não mais poderás ser, pois o tempo passou e mesmo com a dúvida no peito sou melhor sem você, sem a incerteza que sempre nos pesou.
Oi, tudo bem? Vai com Deus, assim é melhor...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Monocromáticos

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"Querido,
Isso é ridículo eu sei, mas você e eu somos ridículos.
Eu não tenho noção de como dizer nesta carta tudo que quero dizer há tanto tempo, então me perdoe se soar ruim ou rude, egoísta ou coisa assim, eu apenas pela primeira vez não sei usar as palavras da forma certa.
Lembra como nos conhecemos? 
Se a resposta for negativa, deixe-me refrescar sua memória, no fim espero que cada palavra se encaixe em um sentido lógico.
Eu fui a uma festa com uns amigos, não estava exatamente em um bom dia, então me entreguei de corpo e alma  naquele bar.
Por mais que eu bebesse era incrível como eu nem ao menos ficava tonta, impressionante como o nosso corpo se acostuma com o álcool e não se acostuma com a solidão, o porquê de tanta solidão? Longa história.
Era nessa longa história que eu pensava enquanto passavam vários caras ao meu lado me propondo mais bebida, como se bebida fosse sinal de beijo na boca e sexo na certa, para todos eu disse "não", repetidamente naquela noite eu disse essa mesma palavra nos mais variados tons.
Depois de muitas tentativas de ficar alcoolizada sem sucesso, você se sentou ao meu lado e eu me lembro claramente de suas palavras "Onde pensa que vai com tanta bebida?", eu te olhei e repeti o meu "não", mas então quando me virei para o bartender eu reparei que o meu "não" havia sido jogado fora, direto para a boca de lixo, afinal ele não fez o mínimo sentido.
Olhei para você e vi as luzes roxas, vermelhas, verdes e azuis colorirem o seu rosto rosado, seus olhos castanhos me encaravam como se quisesse encontrar algo em mim, algo que nem eu sabia onde estava, reparei no seu piercing de argola perfeitamente posicionado no seu nariz, e não pude deixar de reparar nos seus lábios entre abertos, meus olhos desceram então para as tatuagens que rodeavam o seu pescoço, sendo uma mais misteriosa que a outra, não pude ver onde acabavam por conta da roupa, mas depois da jaqueta de couro preto eu pude ver nos seus pulsos um pouco mais delas.
"Pretendo ir arrastada para casa" eu disse num tom seco, levantei o copo para mais uma e você mandou o bartender voltar. Aquela dose poderia de fato ter me levado a loucura, mas isso eu nunca saberei, nunca tive a oportunidade de saber qual era o seu gosto, pois nunca deixou eu bebe-la.
Perguntou sobre o porquê de eu não querer estar com os meus amigos e do motivo pelo qual eu estava me procurando no fundo de uma garrafa vazia, mas nem eu sabia.
"Tudo bem, eu sempre me procuro no fundo de uma caixa de cigarros" confessou, e então depois disso eu comecei a me procurar lá também.
Foi assim, assim que você me fez sua amiga, dois estranhos se procurando em locais que claramente nunca estaríamos, foi exatamente assim que nos afundamos em álcool e cigarros, descemos ao inferno juntos, nós vivíamos cambaleando pela calçada, rindo de um tropeço, e quando finalmente decidíamos fumar o ultimo cigarro nos lembrávamos de como nos sentíamos sozinhos, apesar de termos um ao outro.
Estas coisas aconteceram até o momento em que percebemos que não precisávamos de nada além de nós mesmos, então nos reerguemos, ainda sim juntos.
Eu senti varias vezes que você quis desistir, quis viver em um mundo de tortura, mas você sabia que se desistisse eu desistia, que se caísse o tombo doeria em mim, então as vezes acredito que parte da nossa felicidade foi criada por que pensou na sua amiga aqui.
Desta maneira você me deu a mão pela primeira e segunda vez. Na primeira você me derrubou, mas com você, nunca mais estive sozinha, e na segunda me levantou e eu continuava acompanhada.
Fomos com certeza a dupla de amigos mais sincera que perambulou por todas aquelas ruas paulistas, saímos, bebíamos socialmente, assim como fumávamos, mas era diferente, não era mais uma vida cheia de álcool e nicotina, era uma vida cheia de álcool, nicotina e principalmente felicidade.
Eu costumava te ajudar com as garotas e você me ajudava com os homens, quando nos cansávamos deles então nos achávamos e passávamos o resto da noite juntos, dançando um com outro, contando coisas e pegando um táxi, até que eu dormia em seu ombro e acordava na minha cama, sem você.
Você me contou a história de cada uma de suas tatuagens, e elas tem mais histórias do que eu poderia imaginar, um mundo de segredos estampado em sua pele, você passou para mim um mundo preto e branco, apesar de você fisicamente ser tão colorido, sua alma era monocromática, e em qualquer outro homem eu acharia isso ruim, mas em você não, o preto e branco nunca combinou tanto com alguém como combinou com você.
Confesso que desejei estar nesse mundo muitas vezes.
A esta altura do campeonato se passaram quase dois anos, você começou a namorar uma garota tão como você, e eu um cara tão como alguém por ai que se encaixe perfeitamente com ele, mesmo assim saíamos, e quando a sua garota se cansava e eu cansava do meu garoto nos encontrávamos e dançávamos juntos.
Durou pouco esse ritmo, nada mais era como antes, eu não te contava os meus segredos e você também não compartilhava os seus comigo, eu deixei de usar a sua jaqueta na volta das festas e nunca mais dormi no seu ombro, assim como nunca mais fiquei surpresa por acordar sem você, querido amigo, a gente se afastou com o tempo, e é claro que eu imaginava que isso iria acontecer.
Foi quando decidi fazer então a minha primeira tatuagem colorida, para uma alma que desejava ser preta e branca, um lobo azul, motivo? Segredo.
Demorei para achar o desenho perfeito, e quando achei eu fui direto a um tatuador, no caminho você me ligou com um papinho de "Oi, tudo bem? E ai? Quanto tempo!", eu disse que estava indo ao tatuador, e quando eu entrei no estúdio você já estava lá e segurou a minha mão pela terceira vez.
E como descrever aquilo? 
Você ergueu a cabeça e me olhava pelo canto dos olhos, segurava a minha mão como se tivesse estado lá o tempo todo, como se fosse incapaz de me deixar, eu tremia, mas tenho certeza que não era dor, era por que há muito tempo você não esteve tão próximo. Quando fechei meus olhos não foi por causa da tatuagem, foi para tentar eternizar a sua mão na minha, para sentir o meu coração bater mais forte, foi para desejar que você também quisesse o mesmo, mas não poderia ignorar o fato de que ambos éramos comprometidos, ambos éramos amigos e que eu não deveria estar pensando nada daquilo. Virei o meu rosto para onde você não estava e soltei a minha mão da sua, disse que estava bem, é claro que menti.
Acontece que seu rosto preto e branco não saia da minha mente, meu namoro foi por água abaixo, e eu acho que você esteve tão preocupado com a sua amiga de coração partido que o seu não teve um final diferente.
Éramos novamente aqueles dois que se procuravam em locais que nunca estaríamos.
Você nunca me perguntou o porquê de um lobo, cada tatuagem tem o seu segredo, e aqui esta a resposta para a pergunta que você nunca fez, lobos podem viver em locais inabitáveis, perigosos, e este local para mim é dentro de nós mesmos, quando estamos tão sozinhos que até nós nos tornamos fantasmas, incapacitados de fazer algo para nos salvar, eu era um lobo em uma terra perigosa.
Assim que eu me sinto tão sem você, quer dizer, nunca mais foi embora, mas nunca mais esteve com a mão na minha, talvez quando ambos os relacionamentos tiveram seu fim você tenha pensado em me dar a mão e quem sabe um abraço, ao invés disso me deu um cigarro, eu senti paz por estar fumando ao seu lado, brincamos com a fumaça, e nos preenchemos com o vazio um do outro, temporariamente, pois quando amanheceu partimos.
Será que me culpava pelo seu desastre no relacionamento e por isso não foi mais o mesmo?
Quer dizer, você tem seus picos de alegria, mas sorrisos bonitos nem sempre são reais.
Claro super clichê eu me apaixonar pelo meu melhor amigo, pelo cara que sempre esteve lá, e talvez seja por isso que te amo tanto, você esteve lá, seja com um cigarro ou com as mãos nas minhas.
Se nunca sentiu o que senti com as mãos dadas, então talvez nunca tenha sentido nem ao menos a força da nossa amizade.
Eu sinto muito se eu confundi as coisas, e admito que estou muito confusa, mas algo em mim queria que fossemos confusos juntos, e se você ler isso e bem, não se identificar, ou então não sentir o mesmo, ignore, esta carta não é para você.

Ass.: Uma amiga."

Peguei a carta que havia acabado de escrever, dobrei e guardei no bolso.
Ele deveria estar para chegar, quando chegou eu abri a porta e você vestido de preto com um cigarro na boca me ergueu em um abraço e disse que tinha novidades, me colocou no chão e me ajudou a arrumar a minha roupa.
"Uma nova garota" disse, ele acreditava que ela era a certa, pois assim como ele era tatuada, com cigarros contínuos, piercing, com um sorriso falso e o principal, tão preta e branca quanto ele. Ele disse muito mais, porém eu só via a boca dele abrir e fechar, e só podia ouvir o meu coração desejar sessar cada batimento, parar de bombear sangue e parar de bombear vida.
A sensação de todas as vezes que o laço de nossas mãos foram desfeitos voltou, como se as borboletas na barriga saíssem pela boca, como se o coração fosse esmagado e eu sorri assim como ele sorriu para mim por meses, de maneira falsa, quando pensei que eu não aguentaria a dor e choraria ali mesmo eu disse que iria pegar uma blusa, afinal a dele esquentaria outra pessoa a partir de agora.
Virei as costas e fui até meu quarto, respirei fundo e peguei a jaqueta, fiquei tão perdida que até me esqueci da carta, deveria tê-la escondido, mas nem lembrava que ela estava no meu bolso.
Pensei em dezenas de milhares de desculpas para não sair com ele, pois todos momentos que viveria naquela noite seria com o sentimento de despedida, mas ao invés disso, com o que talvez fosse quinze ou vinte minutos voltei para a porta.
Ele estava me olhando como da primeira vez no bar, junto com o dia que eu me tatuei e misturado com o vazio do olhar após o termino.
"Pronto", provavelmente eu tinha a voz fraca, e quando fechei a porta e me virei novamente para ele, não tive tempo para pensar e nem para olhá-lo, seus lábios foram de encontro aos meus, de inicio como um susto, de forma brusca, me segurando pelo rosto com as duas mãos, senti uma folha encostar no meu rosto e por um segundinho abri o olho para ver o que era, era a carta, que provavelmente teria caído do meu bolso.
O beijo foi ficando leve e eu podia sentir tudo que senti por anos voltar em um beijo, meu coração quase não cabia no peito e minha respiração estava incontrolável, quando seus dedos me tocavam, a minha pele adormecia e o meu lobo finalmente poderia descansar.
Ele me soltou, olhou-me nos olhos e sorriu como eu nunca vi, talvez eu tenha visto um pouco de cor  escapar naquele beijo e se não vi em seu beijo vi em suas palavras:
"A garota que eu disse, eu acreditava ser a certa, você eu sempre tive certeza".

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A história de João e Julia parte VI (Final)

Um dia depois de todo o ocorrido no shopping ainda sem saber descrever o que sentia, João chegou do estágio e enquanto ouvia Kansas e se arrumava pra ir pra faculdade pensava o que seria de sua amizade ou algo mais com Julia, quando toca seu celular, para sua surpresa era Julia quem ligava, naquele misto de alegria e ansiedade achou melhor não atender, pois não sabia o que falar, todos seus passos foram planejados até sua declaração e a partir de então tudo era novo e desconhecido. 
Do outro lado da linha Julia ficou confuso sem saber se havia magoado João com sua repentina e inesperada saída do shopping ou se ele simplesmente não estava próximo ao aparelho, foi quando pensou em mandar um WhatsApp mais tarde para não parecer tão ansiosa e insistente. 
João que estava com uns colegas de faculdade em uma lanchonete, ficou meio sem reação ao ver a mensagem de Julia que o convidava para saírem pra conversar, pois as coisas tinham ficado meio que tumultuadas no último encontro, João aceitou e combinaram no sábado na mesma praça de alimentação do mesmo shopping. João decidiu que aquele era o momento, então resolveu ser direto e pedir Julia em namoro, já havia se declarado e o fato de depois da declaração ela propor um encontro pra conversar deve significar alguma coisa, e esse pensamento o motivou para a conversa do dia seguinte. 
Quando João chegou já avistou Julia que parecia meio desconcertada ao vê-lo, foi então que sentou e sentiu se anestesiado por alguns instantes, até que Julia lhe perguntou: 
É serio tudo aquilo que você me disse na quarta? 
Sim é, apesar que pensando bem Drive My Car não é a melhor escolha de música para se ouvir enquanto passeia no parque com sua namorada, mas isso é um detalhe que podemos resolver com o tempo, afinal de contas você sempre teve melhor gosto musical que eu. 
Você está me pedindo em namoro João? Nossa! Não sei o que dizer, mais uma vez você me pegou desprevenida. 
Tudo bem já imaginava isso, mas não quer dizer que de momentos inesperados não possam sair coisas boas certo? E também não precisamos ser tão apressados, mas o que acha de sairmos desse barulho e irmos dar uma volta na praça aqui em frente? 
Julia deu um sorriso de canto de boca e aceitou o convite meio desconcertada, ao chegarem na praça, João pegou seu celular e fone de ouvidos, colocou uma playlist já definida, deu um lado do fone a Julia, segurou sua mão e começaram a caminhar despretensiosamente, ela parecia meio sem saber o que fazer mas demonstrava gostar, quando João parou de caminhar, olhou no fundo de seus olhos e disse: 
Viu como não é tão ruim assim? A encarou por alguns segundos e a beijou. 
Naquele momento foi como se o tempo parasse, ele não sabia descrever a inebriante alegria que sentia, mas ao ver o sorriso de Julia sabia que era reciproco, foi quando Julia lhe disse que realmente os momentos inesperados revelam surpresas maravilhosas. 
E a sinceridade dos sorrisos e a reciprocidade dos beijos é tudo que importava a ambos naquele momento. Daí por diante será um mistério que ambos terão de descobrir juntos.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A história de João e Julia parte V

Julia saiu do shopping confusa e sem rumo, tudo que ela sempre quis ouvir de Paulo ela ouviu da boca de quem ela menos imaginava ouvir, e apesar de João tê-la emocionado com o encanto e sinceridade de suas palavras ela não sabia mais como proceder perante aquela situação, ouvir seu amigo ao qual ela buscava conselho amoroso se declarar foi mais do que ela podia processar naquele momento, mas pelo menos Julia saiu dali com uma certeza, de que mediante tantas dúvidas ela não poderia mais cogitar voltar com Paulo, ficou claro que seu relacionamento com ele era passado, já seu futuro amoroso era um imenso ponto de interrogação ao qual ela não tinha a menor ideia de como iria se desenrolar. 
Julia tinha medo de confundir os bons momentos de amizade com João em uma possível paixão, pois era inegável a química que tinham e foi ai que sem saber ela começou a ter sua mente assolada pelas mesmas dúvidas que João tivera anteriormente, mas Julia era diferente de João e saberia que jamais conseguiria seguir com essas dúvidas, tudo isso era demais pra ela foi quando ligou para Brenda sua amiga mais próxima e disse que tinha novidades pra contar e precisavam se ver ainda hoje, pegou sua moto e foi na casa de sua amiga, chegando lá elas decidiram ir no MC Donalds enquanto Brenda toda ansiosa perguntou quase que certa se ela tinha reatado com Paulo, e ficou também surpresa quando soube da declaração de João. 
Brenda disse que tinha uma grande simpatia por Paulo, mas que João era um charme com aqueles olhos verdes e aquele olhar tímido e difícil resistir a uma declaração tão linda como aquela que Julia lhe descrevera. 
Você merece alguém que te valorize e que realmente queira estar ao seu lado, porque não dar uma chance? 
Naquele momento parecia que Brenda havia lhe dito tudo que ela pensava e queria ouvir mas tinha medo de decidir sozinha e meio que sentia necessidade de uma validação externa, mas após as palavras da amiga decidiu que iria procurar João até mesmo para se desculpar pela forma repentina como o deixou no shopping e ver o rumo que a coisas tomariam depois de 24 horas tão intensas.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Mariposas

Gosto de imaginar os meus pais como grandes mariposas, que nos dão a chance de viver e um dia nos deixam sozinhos na esperança de que sobreviveremos.
Posso dizer que somos uma pequena larva que adquiri conhecimento exagerado, e estes tem a função de fazer de nós grandes e incríveis.
Tenhamos então a nossa volta, acima de nós e abaixo de nós uma bela folha verde, regada com boa água, para que assim possamos nos alimentar e crescer, desejo que nenhum de nós encontremos veneno, que nenhum de nós seja amaldiçoado, desejo que todos sejamos um dia seres evoluídos.
Me perdoe se enfatizei este pequeno animal, que a muitos desagrada, mas ele é um dos mais sábios exemplos da evolução e do tempo, pois se tudo der certo, um dia, um grande dia estará por vim.
Este tempo de gloria tardará a chegar, mas quando chegar, a luta terá valido a pena, o medo de errar terá ido embora, pois nem ao menos o medo te segurou, e se tudo der certo você vai bater as asas e vai sentir o vento, vai sentir uma emoção indescritível, você vai pensar do por que de aquele momento ter demorado tanto, vai se sentir único.
E quando tiver passado um curto pedaço de tempo, você repousará e tudo terá chegado ao fim. O motivo que te levará o fim é uma variante incalculável, seja pela emoção, por um pequeno erro ou até mesmo pelo tempo.
Assim é a vida, lutamos a vida toda por um sonho, quando ele se realiza é lendário e dependendo do tempo necessário dura pouco, é um ponto em toda uma linha do tempo. Assim é com a mariposa, vive para que um dia bata as asas, e quando bate ela sabe que aqueles são os seus últimos momentos.
E apesar de morrer, valeu a pena ela ter batido as asas.
Sonhos levam tempo, dedicação, escolhas difíceis, nos levam a caminhos obscuros e perigosos, se tivermos a bênção de realizá-los e bater as asas, apesar de ter demorado tanto e ter vivido aquilo por um curto pedaço de tempo, valeu a pena ter vivido.
Mas se você for um encostado, medroso, ou qualquer coisa que te deixe em completa inércia, nunca sentirá o prazer de ter feito a diferença.
Seja uma mariposa.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A história de João e Julia parte IV

Nunca na vida de João um dia tinha demorado tanto para passar, e parecia que a cada segundo sua ansiedade só aumentava, mas também ele via que essa ansiedade dividia espaço com a esperança de ser correspondido, e isso parecia o reconfortar de certa forma, algo que chega a ser ilógico uma vez que ele pensa ser reconfortado por um sentimento que nem sabe se será ou não correspondido, mas assim estava João, antepondo possíveis situações do futuro e perdido neste misto de sentimentos e incertezas. 
João chegou à praça de alimentação do shopping com 20 minutos de antecedência, e resolveu ir à livraria olhar alguns títulos pra matar o tempo, aquele ambiente lhe era muito agradável e foi quando se perdeu em meio aos livros, admirando capas e lendo orelhas que foi surpreendido com Julia que gritou um Ei no meio da livraria que fez todos olharem para ambos e deixa-lo bastante desconcertado e surpreso, aproximou-se dele o abraçou forte, deu um beijo no rosto e disse que tinha uma novidade ótima para lhe contar e foi quando ele percebeu que sua empolgação não era por tê-lo visto depois de mais de seis meses e sim pela novidade que anunciara contar a seguir. 
Sentados na praça de alimentação João sentia suas mãos suarem enquanto se perdia no lindo sorriso de Julia, e foi quando se deu conta de que toda a sua ansiedade não tinha tanta importância, pois a presença de Julia fazia tudo parecer mais fácil do que ele idealizou em sua mente nas ultimas 24 horas. 
Em meio a todas essas sensações Julia lhe conta que Paulo a procurou pra voltar e que ela estava dividida e sabia que com certeza João iria saber lhe aconselhar, foi quando o mundo de João caiu, pois ele até estava preparado para um não, mas aquilo lhe frustrou de modo que não sabia o que falar, pois na sua mente o melhor conselho que podia dar era que esquecesse o Paulo e ficasse com ele, mas percebeu que estava sendo novamente afoito e concluiu que devia pelo menos manter o crédito de ser um bom conselheiro, porém por outro lado era como se as palavras não saíssem, João havia esperado tempo demais por aquela oportunidade pra que não tivesse ao menos a chance de declarar seus sentimentos, por mais de 24 horas ele viveu a experiência da esperança e o beneficio da dúvida lhe fez sentir merecedor do risco e foi quando disse que ele não poderia ajudar Julia com essa decisão e pediu desculpas por tornar aquele momento embaraçoso, mas não aguentava mais guardar aquilo em seu peito. 
Julia eu estou atraído por você, não sei como descrever, foi algo que aconteceu naturalmente com o nosso convívio do dia a dia, as conversas, os gostos, o quão me é prazeroso desfrutar de sua companhia, perco a noção de tempo e espaço com você, contigo tudo é simples, com você posso ser eu mesmo sem precisar me importar com os outros e sinto que não posso mais guardar isso pra mim, preciso compartilhar contigo, dizer que jamais quero que nossa amizade se acabe, entretanto o que sinto por você vai além ,quero ser mais que seu amigo, quero poder te abraçar, te beijar e acariciar seus cabelos, andar sem rumo na praça de mãos dadas compartilhando o mesmo fone de ouvidos enquanto ouvimos Drive my car dos Beatles ou qualquer outra musica que tenhamos descoberto no Spotify, desculpe por te dizer tudo isso assim tão de repente mas eu precisava compartilhar isso com você. 
Julia ficou atônita por alguns segundos, com os olhos cheios de lágrimas foi quando finalmente disse que também não sabia o que dizer pois nunca imaginou que ele tinha tais sentimentos e que ele acabava de fazer a declaração mais linda que ela havia ouvido e que ela sempre esperou ouvir isso de Paulo e que precisava ir pra casa pois aquilo era mais do que ela conseguiria processar, levantou e foi embora meio atordoada e surpresa com o que acabara de ouvir. 
João a ficou olhando meio confuso por medo de ter estragado tudo ou finalmente dado o primeiro passo para viver seus sentimentos, tudo era incerto, mas ainda era bom sentir se aliviado por ter compartilhado seus sentimentos com Julia, mesmo que o que viria a seguir era totalmente novo e desconhecido.

domingo, 25 de junho de 2017

Se eu não estiver mais aqui

Se em algum momento a gente se perder, seja por culpa do mundo ou por culpa minha (já que tenho mania de afastar as pessoas que amo de mim), se você olhar para o lado e não me encontrar, se rolar na cama e não sentir meu cheiro... Feche os olhos, respire fundo, e lembre-se desse momento, o momento em que te fiz infinito na minha vida e no meu coração. O momento em que meu corpo se encaixou perfeitamente ao seu, como um ímã que me atraía constantemente para junto de você.
Lembre-se desse meu olhar, apaixonado e bobo. O olhar de alguém que imaginou uma vida de momentos iguais a esse ao seu lado, o olhar de quem estava completamente apaixonada desde o momento que coloquei os olhos em você no bar naquela quarta-feira.
E aí, se neste momento você sorrir, lembre- se das tantas vezes em que sorri para você e junto com você, e das piadas sem graça que eu te contava enquanto estávamos pendurados ao telefone, e das gargalhadas altas que eu dava das suas histórias engraçadas da puberdade.
Mas sobretudo, amor, me prometa que nunca se esquecerá de nós. Lembre-se, que seja por um minuto, por um momento ou por uma vida. E se a saudade bater, saiba que você ainda é infinito em mim.
Uma vez você me disse que a vida é feita de pequenos momentos importantes. E se a vida é um turbilhão destes momentos, que eu creio que realmente seja, eu espero que você saiba que eu vou estar arrependida, onde quer que eu esteja, se eu não aproveitar ao máximo esse presente que a vida está nos dando agora, o presente de estarmos juntos.
Encosta sua cabeça aqui, me conte outra história, sorria e durma, nunca se esqueça que eu vou estar aqui, mesmo quando eu não estiver, eu vou estar.